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Resistência e existência: a luta diária dos estudantes indígenas em Três Lagoas

União dos Estudantes Indígenas da UFMS-CPTL reafirma sua luta no Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas.

Da redação  - Hojemais Três Lagoas
07/02/25 às 15h27
Imagem: Redes Sociais

O Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas, celebrado em 7 de fevereiro, reforça a histórica resistência dos povos originários na luta por direitos e reconhecimento. A data, estabelecida pela Lei 11.696/2008, rememora o massacre de aproximadamente 1.500 indígenas na Batalha de Caiboaté, em 1756, incluindo a líder guarani Sepé Tiaraju. Seu corpo nunca foi encontrado, mas sua luta se tornou um símbolo da resistência indígena.

Em Três Lagoas, essa resistência se materializa através da União dos Estudantes Indígenas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, no Campus de Três Lagoas (UFMS-CPTL). A organização reúne estudantes das etnias Ofaié, Baré, Tukano, Canela, Guarani/Kaiowá, Pankararu, Tupinambá, Terena, Piratapuya, Xacriabá e Kariri-Xocó, promovendo a visibilidade e a luta por direitos no ambiente acadêmico.

A União surgiu da necessidade de reconhecimento e apoio aos estudantes indígenas, como explica Silvano de Moraes, professor do ensino básico e aluno do curso de História, da etnia Ofaié: “Foi necessário para que tivesse uma visibilidade dos povos indígenas presentes na UFMS”. Segundo ele, a resistência dentro da universidade é essencial: “É de suma importância para ocupar os espaços e reivindicar os direitos que temos”.

A estudante do curso de pós-graduação em Letras, Franciellen, da etnia Kanela, destaca a diversidade dentro do grupo: “Tivemos a chegada de estudantes indígenas de diversas partes do país, e muitos ainda veem os indígenas apenas pelo aspecto racial, sem compreender a diversidade cultural e linguística. A União foi essencial para nos apoiarmos mutuamente”. Ela também pontua a existência de preconceito dentro da universidade: “O racismo está em todos os lugares, inclusive dentro da universidade. Foi essencial estarmos juntos para enfrentar isso”.

Gustavo Bressan, ex-aluno de Direito e professor de inglês, reforça a importância da União como forma de visibilidade e fortalecimento: “Antes, cada um ficava isolado. Com a União, passamos a nos fortalecer e mostrar que estamos presentes na universidade”. Ele também menciona a importância da representação indígena na política: “Ter representantes como Sônia Guajajara e Celia Xakriabá no Executivo e Legislativo é um avanço significativo para a garantia de direitos”.

A criação do Ministério dos Povos Indígenas é vista como um avanço fundamental. “O indígena tem que falar por ele mesmo. Nós sabemos o que precisamos, e nossa voz precisa ser ouvida”, afirma Franciellen. Entretanto, ainda existem desafios, como a questão da demarcação de terras e o enfrentamento do marco temporal, que pode limitar os direitos territoriais dos povos originários.

No Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas, a União reforça sua mensagem: a resistência não acontece apenas em datas específicas, mas diariamente, dentro e fora da universidade. Como afirma Gustavo: “Nos outros dias do ano, ninguém busca a gente. Mas estamos aqui o ano inteiro, existindo e resistindo”.

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