Em um tempo em que educar vai muito além de ensinar conteúdos, algumas pessoas transformam a profissão em propósito de vida. Em Três Lagoas, falar de educação, dedicação e legado familiar é inevitavelmente lembrar do nome de Juliana Etsuco Otino, uma profissional que há mais de três décadas constrói histórias, inspira famílias e ajuda a transformar vidas através do conhecimento.
Em homenagem ao Dia do Pedagogo, celebrado em 20 de maio, nossa matéria de capa traz uma personagem que representa exatamente a essência dessa missão: acolher, ensinar, orientar e acreditar no potencial humano.
Pedagoga, psicopedagoga, servidora pública, gestora educacional e uma das responsáveis pelo tradicional Kumon de Três Lagoas, Juliana carrega consigo não apenas uma trajetória profissional admirável, mas também uma herança afetiva e educacional construída por sua família ao longo dos anos.
Ao se apresentar, ela faz questão de começar pelo que considera mais importante: os vínculos humanos.
“Sou filha de Zuleika Otino e Lauro Otino”,
conta com orgulho, antes de completar emocionada:
“mãe do Matheus e Ana Flávia, sogra da Carol e Gabriel, avó da Luna e Leonardo”.
É justamente nesse olhar afetivo que talvez esteja a chave do carinho e respeito que conquistou ao longo da vida.
Sua conexão com a educação nasceu cedo. Inspirada pela mãe e pela madrinha Clorinda — ambas ligadas à área educacional — Juliana encontrou no ensino uma verdadeira vocação.
“Sempre quis estar na área de humanas, educação, psicologia e na parte social. Almejava ajudar as pessoas”
, relembra.
Mas seu caminho foi além da sala de aula tradicional. A escolha pela Pedagogia e pela Educação Especial surgiu do desejo de acolher crianças, adolescentes e adultos que enfrentavam dificuldades cognitivas, emocionais ou traumas. Uma missão que ela abraçou com sensibilidade e humanidade.
Sua trajetória profissional passou por diferentes experiências: começou como auxiliar no Kumon, atuou em consultoria de gestão na educação, foi professora em projetos educacionais e alfabetização, além de integrar a Secretaria Municipal de Educação entre 2017 e 2022, no Núcleo de Educação Especial.
Mesmo diante de uma rotina intensa, jamais abandonou o atendimento psicopedagógico nem o trabalho construído ao lado da mãe no Kumon. Hoje, a história ganha ainda mais significado ao ver a nova geração da família também participando da gestão da unidade.
E talvez seja exatamente aí que mora uma das mais bonitas simbologias desta história: o conhecimento atravessando gerações.
Ao longo dos anos, centenas de alunos passaram pelo Kumon da família Otino. Muitos cresceram, seguiram suas carreiras, constituíram suas famílias e hoje retornam levando seus próprios filhos para estudar no mesmo lugar onde aprenderam valores como disciplina, autonomia e perseverança. Mais do que uma escola, o espaço se tornou parte da memória afetiva de Três Lagoas.
Juliana fala sobre sua rotina com a serenidade de quem entende o peso e a beleza da responsabilidade que carrega. Na escola, é conhecida carinhosamente como “Tia Ju”, atendendo alunos da Educação Especial. No consultório psicopedagógico, trabalha para desenvolver autonomia e funcionalidade nos estudos e na vida. Já no Kumon, acompanha de perto o desenvolvimento pedagógico e o preparo dos auxiliares que atendem os alunos diariamente.
“Não é fácil, o cansaço às vezes nos pega e precisamos usar o modo off-line, mas estar ajudando é um prazer que me satisfaz e me faz sentir orgulhosa a cada conquista”
, afirma.
E se pudesse escolher outra profissão? A resposta vem rápida e carregada de certeza: nunca pensou em outro caminho. Para ela, trabalhar precisa ter significado.
“Devemos estar realizando algo que nos dê satisfação e nos torne cada dia melhores”.
Ao final da entrevista, Juliana deixa uma mensagem que resume não apenas sua filosofia de vida, mas também o legado construído por sua família através da educação:
“Jamais deixe que a vida ou pessoas te desmotivem a conquistar suas metas”.
Ela também recorda um ensinamento inesquecível de sua avó, a querida Batchan Towa, que mesmo falando pouco português, transmitia sabedoria através da simplicidade:
“Cada degrau que subimos, agradecemos e seguimos na honestidade e mantemos o nosso caráter”.
Em tempos de tanta pressa e superficialidade, histórias como a de Juliana Otino nos lembram que educar é um ato de amor silencioso, diário e transformador. Um trabalho que atravessa gerações, constrói futuros e permanece vivo na memória de cada aluno que um dia encontrou, dentro da sala de aula, alguém que acreditou nele.