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Legado que transforma gerações: Juliana Otino e a missão de educar com amor, disciplina e humanidade

Uma profissional que há mais de três décadas constrói histórias, inspira famílias e ajuda a transformar vidas através do conhecimento.

Edgard Júnior - Agitta Social
23/05/26 às 09h22

Em um tempo em que educar vai muito além de ensinar conteúdos, algumas pessoas transformam a profissão em propósito de vida. Em Três Lagoas, falar de educação, dedicação e legado familiar é inevitavelmente lembrar do nome de Juliana Etsuco Otino, uma profissional que há mais de três décadas constrói histórias, inspira famílias e ajuda a transformar vidas através do conhecimento.

Fotografia: Viviane Almeida

Em homenagem ao Dia do Pedagogo, celebrado em 20 de maio, nossa matéria de capa traz uma personagem que representa exatamente a essência dessa missão: acolher, ensinar, orientar e acreditar no potencial humano.

Pedagoga, psicopedagoga, servidora pública, gestora educacional e uma das responsáveis pelo tradicional Kumon de Três Lagoas, Juliana carrega consigo não apenas uma trajetória profissional admirável, mas também uma herança afetiva e educacional construída por sua família ao longo dos anos.

Ao se apresentar, ela faz questão de começar pelo que considera mais importante: os vínculos humanos. “Sou filha de Zuleika Otino e Lauro Otino”, conta com orgulho, antes de completar emocionada: “mãe do Matheus e Ana Flávia, sogra da Carol e Gabriel, avó da Luna e Leonardo”. É justamente nesse olhar afetivo que talvez esteja a chave do carinho e respeito que conquistou ao longo da vida.

Sua conexão com a educação nasceu cedo. Inspirada pela mãe e pela madrinha Clorinda — ambas ligadas à área educacional — Juliana encontrou no ensino uma verdadeira vocação. “Sempre quis estar na área de humanas, educação, psicologia e na parte social. Almejava ajudar as pessoas” , relembra.

Mas seu caminho foi além da sala de aula tradicional. A escolha pela Pedagogia e pela Educação Especial surgiu do desejo de acolher crianças, adolescentes e adultos que enfrentavam dificuldades cognitivas, emocionais ou traumas. Uma missão que ela abraçou com sensibilidade e humanidade.

Sua trajetória profissional passou por diferentes experiências: começou como auxiliar no Kumon, atuou em consultoria de gestão na educação, foi professora em projetos educacionais e alfabetização, além de integrar a Secretaria Municipal de Educação entre 2017 e 2022, no Núcleo de Educação Especial.

Mesmo diante de uma rotina intensa, jamais abandonou o atendimento psicopedagógico nem o trabalho construído ao lado da mãe no Kumon. Hoje, a história ganha ainda mais significado ao ver a nova geração da família também participando da gestão da unidade.

E talvez seja exatamente aí que mora uma das mais bonitas simbologias desta história: o conhecimento atravessando gerações.

Ao longo dos anos, centenas de alunos passaram pelo Kumon da família Otino. Muitos cresceram, seguiram suas carreiras, constituíram suas famílias e hoje retornam levando seus próprios filhos para estudar no mesmo lugar onde aprenderam valores como disciplina, autonomia e perseverança. Mais do que uma escola, o espaço se tornou parte da memória afetiva de Três Lagoas.

Juliana fala sobre sua rotina com a serenidade de quem entende o peso e a beleza da responsabilidade que carrega. Na escola, é conhecida carinhosamente como “Tia Ju”, atendendo alunos da Educação Especial. No consultório psicopedagógico, trabalha para desenvolver autonomia e funcionalidade nos estudos e na vida. Já no Kumon, acompanha de perto o desenvolvimento pedagógico e o preparo dos auxiliares que atendem os alunos diariamente.

“Não é fácil, o cansaço às vezes nos pega e precisamos usar o modo off-line, mas estar ajudando é um prazer que me satisfaz e me faz sentir orgulhosa a cada conquista” , afirma.

E se pudesse escolher outra profissão? A resposta vem rápida e carregada de certeza: nunca pensou em outro caminho. Para ela, trabalhar precisa ter significado. “Devemos estar realizando algo que nos dê satisfação e nos torne cada dia melhores”.

Ao final da entrevista, Juliana deixa uma mensagem que resume não apenas sua filosofia de vida, mas também o legado construído por sua família através da educação:

“Jamais deixe que a vida ou pessoas te desmotivem a conquistar suas metas”.

Ela também recorda um ensinamento inesquecível de sua avó, a querida Batchan Towa, que mesmo falando pouco português, transmitia sabedoria através da simplicidade: “Cada degrau que subimos, agradecemos e seguimos na honestidade e mantemos o nosso caráter”.


Em tempos de tanta pressa e superficialidade, histórias como a de Juliana Otino nos lembram que educar é um ato de amor silencioso, diário e transformador. Um trabalho que atravessa gerações, constrói futuros e permanece vivo na memória de cada aluno que um dia encontrou, dentro da sala de aula, alguém que acreditou nele.

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