O psicólogo Flávio Arce ,coordenador da Residência Terapêutica e professor do curso de Psicologia da AEMS, é especialista em Saúde Mental e Atenção Psicossocial e em Saúde Mental e cuidado aos usuários de álcool e outras drogas no Brasil. Ao abordar o Setembro Amarelo , ele destaca que a prevenção do suicídio exige atenção ao sofrimento e às condições de vida das pessoas.
A campanha amplia o debate sobre saúde mental, prevenção do suicídio e busca por ajuda profissional . Para Arce, falar sobre o tema não significa tratar apenas da morte, mas compreender situações que podem tornar a vida insuportável para uma pessoa.
“Ao falarmos de suicídio, não estamos tratando apenas da morte. Trata-se, sobretudo, de refletir sobre a vida e sobre as condições atuais que a tornam insuportável para alguns.”
Sinais de alerta precisam de atenção
Mudanças bruscas de comportamento, isolamento, abandono de atividades antes prazerosas, alterações repentinas de humor e doação de objetos de valor afetivo podem indicar sofrimento. Verbalizações sobre morte, desesperança ou a sensação de ser um peso também devem ser levadas a sério.
“Devemos oferecer escuta e acolhimento para, então, avaliar a possibilidade de uma tentativa ou planejamento.”
O psicólogo explica que perguntar diretamente sobre pensamentos suicidas é correto e pode abrir espaço para que a pessoa fale sobre a própria dor.
“Falar abertamente sobre o assunto permite que o indivíduo verbalize sua dor, sinta-se escutado e encontre apoio para atravessar a crise.”
Quando procurar ajuda imediata
Quando existe risco evidente, planejamento suicida, abandono do autocuidado, isolamento profundo ou perda acentuada de motivação, é necessário buscar atendimento profissional imediato . Em Três Lagoas, Arce cita a UPA para o manejo inicial da crise e orienta acionar SAMU ou Corpo de Bombeiros quando a família não conseguir conduzir a pessoa.
“É crucial não deixar a pessoa sozinha em nenhum momento, recolher materiais letais do ambiente e manter supervisão e cuidado constante.”
Para quem enfrenta sofrimento emocional, a orientação é procurar pessoas de confiança e serviços como UBS, CAPS, CAPS AD e UPA . O CVV atende gratuitamente pelo 188, 24 horas por dia , de forma sigilosa.
“Escutar é um ato de presença. E precisamos estar ativamente presentes para transformar a realidade estrutural que adoece as pessoas.”
