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Sistema prisional de MS amplia cursos profissionalizantes e oferece cerca de 2 mil vagas para internos em 2026

Iniciativa da Agepen aposta na qualificação profissional para promover ressocialização e reduzir a reincidência criminal no estado.

Thais Constantino  - Hoje Mais Três Lagoas
24/03/26 às 11h51
Foto: Divulgação | Reprodução (agência GOV MS)

Com foco na ressocialização e na redução da reincidência criminal, a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) tem ampliado iniciativas de qualificação profissional para pessoas privadas de liberdade em Mato Grosso do Sul .

A estratégia fortalece a educação profissionalizante como um dos pilares da política penitenciária estadual, transformando unidades prisionais em espaços de aprendizado, desenvolvimento pessoal e preparação para o retorno à sociedade. As informações são da Agência de Notícias do Governo de Mato Grosso do Sul .

De acordo com a Divisão de Assistência Educacional da Agepen, aproximadamente 2 mil vagas em cursos presenciais já estão previstas para 2026, contemplando áreas como marcenaria, serralheria, construção civil, corte e costura, informática, serviços administrativos e cuidados com a beleza.

Esses números não incluem capacitações de curta duração, palestras ou cursos na modalidade a distância. Entre as parcerias previstas está o projeto “Ajufe por um Mundo Melhor” , da Associação dos Juízes Federais do Brasil , que oferecerá formações em áreas como educação, saúde, informática, línguas, administração, empreendedorismo e governança doméstica.

Segundo o diretor-presidente da Agepen, Rodrigo Rossi Maiorchini , o investimento em educação dentro do sistema prisional gera impactos diretos na segurança pública e na reintegração social.

“Investir em educação e trabalho no sistema prisional é investir diretamente em segurança pública, cidadania e eficiência na gestão dos recursos públicos. Ao oferecer oportunidades reais de capacitação, criamos caminhos concretos para a reconstrução de vidas e contribuímos para a redução da reincidência criminal”, afirmou.

A iniciativa conta com diversas parcerias institucionais. Em conjunto com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), 160 internos participarão de cursos profissionalizantes em áreas como pintura de obras imobiliárias, elétrica básica, manutenção de ar-condicionado, costura sob medida, marcenaria, pedreiro de alvenaria estrutural, serralheria, informática para o trabalho e assistente administrativo.

Nos municípios de Paranaíba e Ponta Porã , cerca de 280 reeducandos participarão de cursos na área da construção civil, também em parceria com o Senai. Além da capacitação, os alunos atuarão diretamente em obras estruturais nas próprias unidades prisionais.

O cronograma inclui ainda 800 vagas ofertadas pela Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul (Funtrab), 70 oportunidades pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) Mulheres Mil e 140 vagas para formação de encanadores hidráulicos, em parceria com a concessionária Águas Guariroba e o Senai, em unidades penais de Campo Grande .

Além da qualificação profissional, a educação também contribui para a remição da pena. A cada 12 horas de estudo, um dia é reduzido do tempo total de cumprimento da sentença.

No Instituto Penal de Campo Grande (IPCG), o curso de marcenaria é um exemplo das formações oferecidas. O instrutor do Senai, Rafael Oliveira Uchôa Santos , explica que os participantes estão sendo preparados para atuar profissionalmente após o cumprimento da pena.

“Os internos estão sendo preparados com técnicas atualizadas e sairão aptos a trabalhar na área, seja em empresas ou de forma autônoma”, destacou.

Para os alunos, a oportunidade representa a possibilidade de reconstruir a própria trajetória. O interno Gilmar Mendes da Silva afirma que o curso pode abrir portas no futuro.

“É uma oportunidade de ter uma profissão. Lá fora posso trabalhar em uma empresa ou até montar meu próprio negócio. É um curso gratuito, de qualidade, que exigiria um alto investimento fora daqui”, disse.

Outro participante, Whoshington da Silva Lopes , ressalta que a capacitação ajuda tanto no presente quanto na perspectiva de futuro. “Além de ocupar a mente e ajudar na remição da pena, estou descobrindo uma nova profissão. Aqui não aprendemos só um ofício, ganhamos uma chance real de recomeçar e sustentar nossa família.”

As ações de qualificação já estão em andamento em diversas unidades prisionais da capital e do interior do estado. Entre elas estão o curso de Corte e Costura Sob Medida no Estabelecimento Penal Feminino “Irmã Irma Zorzi”, aulas de Informática para o Trabalho no regime semiaberto feminino de Campo Grande e o curso de Auxiliar de Elétrica na unidade feminina fechada de Três Lagoas .

Também está em execução o curso de Pedreiro de Alvenaria no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho , ampliando as oportunidades de capacitação dentro do sistema prisional sul-mato-grossense.

 
 
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