Produtos de apreensões de cigarros eletrônicos feitas pela Receita Federal poderão ganhar uma nova utilidade nas mãos de estudantes, professores e pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). A instituição abriu inscrições para um desafio de inovação que busca desenvolver soluções sustentáveis para o reaproveitamento dos materiais provenientes desses equipamentos.
A iniciativa é realizada em parceria com a Alfândega da Receita Federal em Ponta Porã e vai selecionar 13 equipes para criar propostas voltadas ao tratamento, desmontagem, reciclagem e reaproveitamento de componentes de cigarros eletrônicos apreendidos em operações de combate ao contrabando.
Inscrições e participação
As inscrições para o Desafio UFMS Inovadora – Edição Receita Federal seguem abertas até 9 de agosto e devem ser feitas pelo Sigproj (Sistema de Informação e Gestão de Projetos). A participação é gratuita e destinada à comunidade acadêmica da UFMS. As equipes devem ter entre três e seis integrantes, reunindo estudantes, professores e técnicos-administrativos, com pelo menos uma mulher e três estudantes, preferencialmente de cursos diferentes.
Processo e premiação
Na primeira etapa, os participantes apresentarão uma proposta inicial, que será aperfeiçoada ao longo de um processo de mentoria antes da fase final, marcada para os dias 17 e 18 de setembro, em Campo Grande.
As três melhores equipes receberão prêmios oferecidos pela Alfândega da Receita Federal em Ponta Porã. Cada integrante da equipe campeã ganhará um iPhone 17. Os participantes da equipe vice-campeã receberão um iPhone 16, enquanto os terceiros colocados serão contemplados com um iPad. Todos os participantes terão direito a certificado.
Impacto ambiental e inovação
De acordo com o Campo Grande News, o diretor de Sustentabilidade da Pró-Reitoria de Cidadania e Sustentabilidade da UFMS, Leonardo de Carvalho, a proposta busca transformar um problema ambiental em oportunidade de inovação. "Estamos transformando um problema ambiental em uma oportunidade de gerar conhecimento, inovação e desenvolvimento sustentável", afirma.
Além de incentivar a economia circular, o desafio pretende estimular soluções tecnológicas para reduzir os impactos ambientais, sociais e de saúde pública relacionados ao descarte dos cigarros eletrônicos apreendidos, que não podem ser comercializados.
Nova destinação de apreensões
A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla da Receita Federal para dar um destino útil a mercadorias apreendidas que não podem ser revendidas. Em entrevista ao Campo Grande News em abril, o delegado-adjunto da Receita Federal em Campo Grande, Henry Tamashiro de Oliveira, explicou que o órgão já desenvolve projetos semelhantes com outros produtos, como TV Box utilizadas para captação ilegal de sinal de televisão, que são desmontadas e transformadas em computadores para escolas.
A Receita também iniciou tratativas com a UFMS para desenvolver pesquisas envolvendo o reaproveitamento de materiais apreendidos, incluindo cigarros eletrônicos, além de estudos para neutralização e descarte ambientalmente adequado de agrotóxicos ilegais.
