Os dados do Monitor da Violência contra a Mulher , divulgados pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) e referentes ao primeiro semestre de 2026 , mostram que a violência doméstica permanece, em sua maioria, sendo praticada por pessoas que fazem parte do convívio familiar ou afetivo das vítimas.
Um dos dados que mais chama atenção no levantamento é que os filhos aparecem com maior frequência como autores de violência contra a mulher do que os namorados , evidenciando que esse tipo de agressão não se limita às relações conjugais, mas também ocorre entre diferentes gerações da mesma família.
Principais vínculos entre autor e vítima
Segundo o monitor da Sejusp-MS , os registros de violência contra a mulher apontam os seguintes vínculos entre agressor e vítima:
- Cônjuges: 41.134 ocorrências;
- Conviventes: 22.587;
- Outros vínculos: 11.483;
- Pais: 6.752;
- Filhos: 5.242;
- Namorados: 3.697;
- Irmãos: 3.532.
Os números mostram que houve 1.545 registros a mais envolvendo filhos do que namorados , diferença equivalente a aproximadamente 42% . O resultado reforça que a violência doméstica também acontece com frequência entre familiares, ultrapassando o contexto de relacionamentos amorosos.
Maioria das vítimas é formada por mulheres adultas
O levantamento também traça o perfil das vítimas. As mulheres entre 30 e 59 anos representam a maior parte dos registros de violência. Em seguida aparecem as jovens de 18 a 29 anos .
Na sequência estão as idosas, enquanto adolescentes e crianças correspondem a parcelas menores das ocorrências.
Esse cenário indica que a violência contra a mulher atinge principalmente mulheres em idade economicamente ativa, fase da vida em que predominam relacionamentos conjugais, responsabilidades familiares e maior convivência doméstica.
Registros seguem em crescimento
O histórico da Sejusp-MS mostra crescimento gradual no número de vítimas de violência doméstica nos últimos anos:
- 2023: 20.118 vítimas;
- 2024: 21.211 vítimas;
- 2025: 22.291 vítimas, o maior número da série histórica.
Em 2026 , já foram contabilizadas 11.098 vítimas durante o primeiro semestre. Como o dado considera apenas os seis primeiros meses do ano, não é possível compará-lo diretamente aos totais anuais anteriores. No entanto, caso o ritmo de registros seja mantido até dezembro, a tendência é que o Estado encerre o ano em um patamar semelhante ao registrado em 2025.
