Chegamos em fevereiro, e neste mês, que tem a cara do carnaval, vamos falar um pouco dessa festa tão incrível que atrai turistas do mundo inteiro para nosso país.
Vamos falar de grandes ícones dessa festa que literalmente para o país.
Antes das câmeras digitais, dos influenciadores e dos looks pensados para viralizar, o Carnaval brasileiro já conhecia o verdadeiro espetáculo. E ele tinha nome, presença e assinatura: Clóvis Bornay .
Nascido em 10 de junho de 1916 , em Nova Friburgo , Clóvis Bornay iniciou ainda jovem uma trajetória que transformaria seu nome em sinônimo de luxo, ousadia e excelência estética. O que começou como paixão pelas artes e pela fantasia rapidamente se tornou ofício — e, depois, lenda.
Figurinista, carnavalesco, jurado e personagem de si mesmo, ele alcançou os píncaros da glória nos grandes bailes de fantasia do Rio de Janeiro, especialmente os realizados no Hotel Glória , no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e no Copacabana Palace .
Suas aparições eram aguardadas como verdadeiros acontecimentos sociais e muitas dessas noites foram transmitidas pela televisão , levando o brilho dos salões para todo o Brasil.
Suas fantasias refletiam a tendência da época em que o Carnaval dos salões valorizava o luxo artesanal e a grandiosidade estética. Inspirava-se em reis, impérios, figuras históricas, mitologia e religiosidade, com plumas, pedrarias e bordados minuciosos.
Cada traje era pensado para impressionar de perto, sob lustres e orquestras, quando fantasia era sinônimo de elegância e não de caricatura.
Mas Clóvis Bornay também foi polêmico — e justamente por isso, revolucionário.
Em uma sociedade marcada por conservadorismo e rígidos códigos morais, sua presença exuberante, performática e sem concessões causava admiração e incômodo na mesma medida.
Foi criticado, questionado e muitas vezes alvo de olhares atravessados, mas jamais se diminuiu. Com postura firme e estética impecável, ocupou espaços que nem sempre estavam prontos para aceitá-lo, transformando a própria existência em ato de resistência silenciosa.
Mais do que brilho, havia coragem. Sem discursos, Clóvis ensinou que o Carnaval também é território de liberdade, identidade e afirmação — especialmente em tempos em que ser diferente exigia força.
Clóvis Bornay faleceu em 9 de julho de 2005 , no Rio de Janeiro , mas sua história segue viva. Em Nova Friburgo , sua terra natal, até hoje é realizado o tradicional Baile de Fantasias em sua homenagem , mantendo acesa a memória de um homem que transformou o Carnaval em arte e espetáculo.
Porque Clóvis Bornay não pertence apenas ao passado. Ele é memória viva, referência e inspiração. E prova de que houve um tempo — e ainda pode haver — em que o Carnaval não precisava gritar para ser inesquecível. Bastava entrar no salão.
