Economia

Vice-presidente da Acron confirma prosseguimento das negociações para a compra da UFN3

A ministra brasileira se reuniu com o vice-presidente da produtora global de fertilizantes minerais complexos Acron, Vladimir Kantor, que garantiu o aumento de ao menos 10% das exportações de fertilizantes para o Brasil.

Da Redação
20/11/21 às 08h20
A ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) reuniu-se na última quarta-feira (17) com autoridades e empresários da Rússia ( Reprodução/MAPA)

A ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) reuniu-se na última quarta-feira (17) com autoridades e empresários da Rússia, em Moscou, para falar sobre o fornecimento de fertilizantes para o Brasil. Todos garantiram que não vão deixar de cumprir os contratos de fornecimento de fertilizantes ao Brasil, com possibilidade de aumentar o volume de exportações.

"Tivemos aqui a garantia, tanto do governo russo quanto das empresas de fertilizantes, de que nós não teremos problemas com a entrega de fertilizantes, tanto de potássio quanto dos fosfatos", anunciou a ministra.

O Ministro do Desenvolvimento Econômico da Rússia, Maksim Reshetnikov, assegurou a manutenção do fornecimento ao Brasil de fertilizantes de potássio e fosfato e, se possível,  aumento de exportações para a próxima safra. “O ministro reforçou que o Brasil é um parceiro estratégico e que podemos ficar absolutamente tranquilos com o fornecimento de potássio e fósforo”, comemorou Tereza Cristina, após o encontro.

A ministra brasileira se reuniu com o vice-presidente da produtora global de fertilizantes minerais complexos Acron, Vladimir Kantor, que garantiu o aumento de ao menos 10% das exportações de fertilizantes para o Brasil. Ele também informou sobre  o prosseguimento das negociações para a aquisição dos ativos da Petrobras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-3), em Três Lagoas (MS).

O CEO da empresa russa PhosAgro, Andrey Guryev, também garantiu o fornecimento de fertilizantes ao Brasil. “O Brasil pode contar conosco como parceiro para garantir fornecimento de fertilizantes ao Brasil", disse Guryev à ministra Tereza Cristina. A holding química russa é produtora de fertilizantes, fosfatos e fosfatos para alimentação animal, sendo um dos principais fabricantes mundiais de fertilizantes fosfatados.

A ministra Tereza Cristina ouviu do CEO da EuroChem, Vladimir Rashevskiy, planos de investimentos da empresa no Brasil para aumento da produção nacional de fertilizantes. A EuroChem é líder mundial na produção de fertilizantes nitrogenados, fosfatados e potássicos.

O objetivo da viagem da ministra é abrir negociação com os principais fornecedores de fertilizantes, produto essencial para a produção agropecuária que enfrenta restrições na oferta mundial.  

A Rússia representa cerca de 20% do total de fertilizantes importados pelo Brasil. Recentemente, o governo russo anunciou restrições às exportações de fertilizantes nitrogenados por meio de cotas de exportação pelo período de seis meses a partir de 1º de dezembro, com o objetivo de evitar escassez no mercado interno.

As reuniões foram acompanhadas pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Orlando Leite Ribeiro, pelo diretor do Departamento de Promoção Comercial e Investimentos, Jean Marcel Fernandes, e pelo embaixador do Brasil na Rússia, Rodrigo Baena. 

NOVELA

A UFN 3 é uma unidade industrial de fertilizantes nitrogenados localizada em Três Lagoas, que teve início das obras em setembro de 2011, sendo interrompida em dezembro de 2014, com avanço físico de cerca de 81%. Após concluída, a unidade teria capacidade projetada de produção de ureia e amônia de 3.600 t/dia e 2.200 t/dia, respectivamente.

Com a promessa de gerar 1 mil empregos diretos e outros 8 mil indiretos, a fábrica de fertilizantes gerou a expectativa de transformar Mato Grosso do Sul no maior produtor de insumos nitrogenados para atender a agropecuária do País.

Após sete anos de paralisação da construção da fábrica, a expectativa era de que o processo fosse concluído no ano passado, e as obras retomadas.

Foram vários os processos de venda que se iniciaram, mas que não saíram do papel. Na última tentativa de venda, o grupo russo Acron desistiu da compra, a  UFN3 (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados).

A subsidiária da Petrobras foi colocada em processo de venda, junto da Araucária Nitrogenados (Ansa), na Região Metropolitana de Curitiba, mas a comercialização em conjunto dificultou a concretização do negócio.

Em agosto de 2019, a Acron selou acordo para a compra da empresa, com previsão de retomar as obras em 2020.  Mas o contrato de venda não foi confirmado, devido à crise boliviana que culminou na queda do ex-presidente Evo Morales.

Débito com fornecedores - A paralisação das obras da UFN-3 trouxe consequências desastrosas para a cidade e principalmente para fornecedores que venderam para o consórcio responsável pela obra. A Justiça de Três Lagoas bloqueou de R$ 36 milhões da Petrobras, em decorrência de dívidas não pagas a fornecedores para as obras de construção da fábrica. A Petrobras recorreu da decisão. A mesma sentença considerou que a estatal não tem responsabilidade no pagamento dos prestadores de serviço, que seria do consórcio, formado pelas empresas Sinopec e Galvão Engenharia. Contudo, o bloqueio dos recursos foi mantido, porque ainda existem discussões em outros processos sobre de quem é a responsabilidade de pagar a dívida.

Os R$ 36 milhões são somente para os prestadores de Três Lagoas. Somado a fornecedores de outras cidades brasileiras, o montante não pago chega a R$ 400 milhões, em cálculo do início deste ano. Isto sem contar com 1,5 mil trabalhadores que aguardam para receber direitos de rescisão.

 

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