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Hojemais 20 anos: UFN-3 - Uma novela que se arrasta por seis anos

Após seis anos de paralisação da construção da fábrica, a expectativa era de que o processo de venda pudesse ser concluído ainda neste ano de 2020, e as obras retomadas em março.

João Maria Vicente - Hojemais Três Lagoas
27/12/20 às 08h47
81% da fábrica já foi construído

A UFN 3 é uma unidade industrial de fertilizantes nitrogenados localizada em Três Lagoas, que teve início das obras em setembro de 2011, sendo interrompida em dezembro de 2014, com avanço físico de cerca de 81%. Após concluída, a unidade teria capacidade projetada de produção de ureia e amônia de 3.600 t/dia e 2.200 t/dia, respectivamente.

Com a promessa de gerar 1 mil empregos diretos e outros 8 mil indiretos, a fábrica de fertilizantes gerou a expectativa de transformar Mato Grosso do Sul no maior produtor de insumos nitrogenados para atender a agropecuária do País.

Após seis anos de paralisação da construção da fábrica, a expectativa era de que o processo de venda pudesse ser concluído ainda neste ano de 2020, e as obras retomadas em março.

Foram vários os processos de venda que se iniciaram, mas que não saíram do papel. Na última tentativa de venda, o grupo russo Acron desistiu da compra, a  UFN3 (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados).

A subsidiária da Petrobras foi colocada em processo de venda, junto da Araucária Nitrogenados (Ansa), na Região Metropolitana de Curitiba, mas a comercialização em conjunto dificultou a concretização do negócio. 

Em agosto do ano passado a Acron selou acordo para a compra da empresa, com previsão de retomar as obras em 2020.  Mas o contrato de venda não foi confirmado, devido à crise boliviana que culminou na queda do ex-presidente Evo Morales.

Débito com fornecedores - A paralisação das obras da UFN-3 trouxe consequências desastrosas para a cidade e principalmente para fornecedores que venderam para o consórcio responsável pela obra. A Justiça de Três Lagoas bloqueou de R$ 36 milhões da Petrobras, em decorrência de dívidas não pagas a fornecedores para as obras de construção da fábrica. A Petrobras recorreu da decisão. A mesma sentença considerou que a estatal não tem responsabilidade no pagamento dos prestadores de serviço, que seria do consórcio, formado pelas empresas Sinopec e Galvão Engenharia. Contudo, o bloqueio dos recursos foi mantido, porque ainda existem discussões em outros processos sobre de quem é a responsabilidade de pagar a dívida.

Os R$ 36 milhões são somente para os prestadores de Três Lagoas. Somado a fornecedores de outras cidades brasileiras, o montante não pago chega a R$ 400 milhões, em cálculo do início deste ano. Isto sem contar com 1,5 mil trabalhadores que aguardam para receber direitos de rescisão. 

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