Uma das mensagens falsas que circula com as imagens afirma: “Sabem o que acontece num shopping center após mais de 30 dias de ar-condicionado desligado? Não? Eu vou te mostrar... Mandem a conta desse prejuízo para João Doria”. Várias outras com texto similar terminam culpando o governador de São Paulo.
Há também versões que criticam o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. Doria e Witzel vêm sendo alvos de ataques nas redes sociais feitos por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, que defende o fim do distanciamento social e a retomada das atividades econômicas.
No Brasil, todos os shoppings ficaram fechados a partir do dia 26 de março – medida tomada pelos governos para reduzir aglomerações e frear a propagação do coronavírus. No momento, a situação difere de estado para estado. Desde abril, segundo a Abrasce, 89 shoppings já reabriram em 53 cidades de dez estados, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais.
No estado do Rio de Janeiro, desde 27 de abril o movimento foi retomado em cinco shoppings, todos, porém, fora da capital, onde o número de infectados pelo coronavírus é maior e as medidas de isolamento determinadas pela prefeitura mais rígidas. Em todo o estado de São Paulo as atividades continuam suspensas.
Sobre as imagens dos produtos mofados, o pneumologista José Rodrigues Pereira, da Beneficência Portuguesa de São Paulo, explica que o ar-condicionado baixa a umidade do ar, e seu desligamento pode mesmo provocar o surgimento de bolor em materiais biológicos, como o couro. A temperatura mais alta também facilita a proliferação do fungo, assim como a falta de ventilação.
“O ar-condicionado resseca o ambiente. Se estamos num ambiente úmido, o ar ‘corrige’ a umidade. Se desligado, pode aparecer mofo no couro em ambientes não ventilados, como vemos nas imagens. Mas a intensidade que observamos não é comum, é algo extremo. Não é o tipo de coisa que acontece normalmente. Pode ter havido uma infiltração na loja”, diz, lembrando que é difícil definir o quanto o sistema de ar-condicionado diminui a umidade relativa do ar; isso varia de acordo com o tamanho da loja e da potência dos aparelhos.
Pereira alerta que a exposição a esses produtos mofados é prejudicial à saúde, especialmente quando a pessoa tem quadros alérgicos ou asma, podendo levar a crises. “No caso da asma, quanto maior a exposição, maior é o risco de uma crise severa.”
(*) G1.COM
