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Fato ou Fake: Bebê nasce dentro da bolsa e é salvo do Covid-19 da mãe contaminada 

Mensagem diz que médicos tiraram o bebê empelicado para que ele não se contaminasse

Thais Dias - Hojemais Três Lagoas
25/05/20 às 09h39

É FAKE: Uma mensagem que vem sendo compartilhada nas redes sociais mostra o nascimento de um bebê empelicado, ou seja, ainda dentro da bolsa da mãe, e afirma que o procedimento médico foi feito dessa forma porque a mãe estava com coronavírus e esse foi o jeito encontrado de proteger a criança. 

A mensagem que viralizou diz: “Que emocionante! A mãe estava com coronavírus, e os médicos fizeram o parto antes que a bolsa se rompesse e o bebê se contaminasse”. Só que o bebê em questão, da Costa Rica, nasceu em janeiro, bem antes de o coronavírus chegar ao país. E o fato de a bolsa, ou saco amniótico, não ter se rompido durante a cesariana aconteceu de forma espontânea e natural. Não houve intervenção médica para tal.
Em entrevista à CBN, a mãe, Veronica Salazar, confirma que teve filhas gêmeas no dia 8 de janeiro, e que não estava infectada pelo coronavírus. “Usaram o vídeo do nascimento de uma das minhas gêmeas com uma informação falsa, e isso viralizou”, conta Veronica.
“Naquela época, nem sequer se sabia o que era o coronavírus. Os médicos gravaram o nascimento porque ela nasceu com o saco amniótico intacto, e isso chamou a atenção. Gravaram e nos mandaram. Não tenho ideia de quem postou. Eu nunca quis publicar, achei que era muito particular da nossa família.”
 
Segundo o médico Waldemar Carvalho, ginecologista e obstetra da Beneficência Portuguesa de São Paulo, nos nascimentos pós-pandemia não vem sendo verificada a contaminação intrauterina. Mas ainda não há estudos conclusivos sobre a possibilidade de transmissão.
“Como obstetras com gestantes infectadas, não temos visto a infecção passando dessa maneira de mãe para filho. Não se encontra o coronavírus quando se colhe material vaginal, líquido amniótico e leite materno”, diz o médico.


“Este coronavírus é novo, muitos aspectos ainda estão sendo estudados. Existem uns poucos relatos de caso de transmissão logo que o bebê nasce. Felizmente, a maioria das gestantes com infecções por coronavírus, de leve até casos graves, tiveram como maior risco só a prematuridade. Para o risco de transmissão intrauterina ainda não se tem conclusão”, explica.
Carvalho esclarece também que no caso de cesarianas, o procedimento médico padrão para evitar contaminações no momento da retirada do bebê pelo médico é usar agentes desinfetantes na pele da mãe. O fato de a bolsa estar íntegra não tem peso, afirma.
“É raro nascer empelicado, e não haveria necessidade de ser empelicado para que o bebê fosse protegido do coronavírus. Não traria benefício, não teria mais risco ou menos risco. Tecnicamente é possível fazer com que nasça empelicado. Mas não é garantido conseguir, porque na hora em que você encosta na bolsa, a membrana pode estourar”, diz.
Ele pondera que, no caso do HIV, por exemplo, para que não haja infecção do bebê no momento do nascimento, é muito mais importante que a gestante esteja tomando antirretrovirais do que evitar que a bolsa dela se rompa.


Sobre a possível transmissão do coronavírus de mãe para filho, o infectologista Renato Kfouri, presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, alerta que a contaminação pode se dar após o nascimento.
 
“Não há documentação sobre a transmissão vertical, ou seja, pelo sangue do cordão durante a gravidez. Há muitas doenças documentadas, como a sífilis congênita, catapora, rubéola, zika. Nesses casos, a infecção é transferida. São poucos os estudos que detectaram o Sars-Cov-2 no recém-nascido. São raros os casos, e os bebês podem ter adquirido o vírus no primeiro contato, no berçário, na amamentação, e não necessariamente na barriga da mãe.”

(*) G1

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