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Advogada Vânia Souza esclarece dúvidas sobre o enfrentamento a violência doméstica

Até maio de 2019, 535 mulheres registraram boletim de ocorrências em Três Lagoas.

Julia Rafaela - Hojemais Três Lagoas 
03/08/19 às 09h09
Delegada Leticia Mobis (Rara Gente)

Neste mês de agosto, a Lei Maria da Penha completa os seus 13 anos, sendo caracterizada como um marco na proteção da vida feminina e considerada pela Organização das Nações Unidas como uma das três melhores legislações do mundo no enfrentamento à violência contra as mulheres.

Em janeiro deste ano o Hojemais foi atrás de dados, a fim de saber a real situação dos casos de violência doméstica e feminícidio, não só em Três Lagoas mas no estado de Mato Grosso do Sul.

Os números coletados foram alarmantes e neste mês foi realizado um segundo levantamento. De acordo com a Secretária de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, de janeiro a julho de 2019 já foram registrados um total de 3.581 boletins de ocorrências em todo o estado, somente em Campo Grande 1925 mulheres procuraram as delegacias para relatar casos de violência.

Em 2018 no mesmo período foram registrado 3.631 boletins de ocorrências em MS e 2091 na capital, o que comprova uma pequena queda nos registros.

A reportagem ainda entrou em contato com a Delegada Leticia Mobis, responsável pela Delegacia da Mulher de Três Lagoas. Segundo Mobis, os números de ocorrências em relação ao ano anterior se mantém no município, tendo uma média de 120 a 130 boletins de ocorrências registrados no mês.

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“De acordo com o nosso levantamento, até maio de 2019, foram registrados 535 boletins de ocorrências, nós não reputamos que esses números sejam negativos, porque mostram que a mulheres estão denunciando, a violência sempre existiu e nesses 9 anos que estou aqui na Delegacia os números se mantém. Em relação as medidas protetivas nós chegamos a registrar de três a quatro por dia” – afirmou a delegada.

A Dra. ainda ressaltou o não registro de nenhum caso de feminicidios em Três Lagoas neste ano de 2019.

“No ano de 2017 foram cinco casos consumados e dois tentados e nós estamos conseguindo uma redução nesses números e nós orientamos para não deixar chegar nessa situação, ou seja, no primeiro sinal de violência denuncie” – completou Mobis.

O Hojemais ainda conversou com a Advogada Vânia Souza, que bateu um papo conosco e esclareceu algumas dúvidas referente a violência doméstica.  

Advogada Vânia Souza. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Vale ressaltar que a violência doméstica não se restringe apenas a violência física, ela também pode ser caracterizada por violência moral que é caluniar, difamar ou cometer injúria contra a mulher. Violência patrimonial que é quando o agressor destrói bens, documentos pessoais e instrumentos de trabalho. Violência psicológica, ou seja, qualquer ação que cause prejuízo psicológico, como humilhação, chantagem, insulto, isolamento, ridicularização. Violência sexual que é aquela que força a mulher presenciar, manter ou participar de relação sexual indesejada e por fim violência física que é qualquer ato contra a integridade ou saúde corporal da vítima” - explicou Souza.

A advogada ainda esclareceu um fato pouco conhecido, que é a extensão da Lei Maria da Penha, ou seja, a mesma pode ser aplicada a mulheres heterossexuais, lésbicas e bissexuais, além de acolher mulheres transgêneros e transexuais.

EXISTE UM PERFIL DE VÍTIMA E AGRESSOR?

“Não existem perfis de vítimas e agressores e nem padrões absolutos de comportamento. Podemos chegar a essa conclusão, constatando as ocorrências no nosso município, sendo vários casos de violência doméstica onde os agressores eram figuras acima de qualquer suspeita aos olhos da sociedade” – afirmou.

MEDIDA PROTETIVA: UMA FERRAMENTA JURÍDICA QUE PODE SALVAR VIDAS

“Essa é uma medida judicial especializada, porque temos uma vítima e um réu que se conhecem e devido essa relação de proximidade entre o réu e a vítima, essa medida precisa de um acompanhamento especial” – completou a advogada.

Queiroz ainda explicou que a medida protetiva, é o principal recurso da Lei em um estágio em que não há como adotar outras opções de intervenção para a prevenção de novas agressões e até do homicídio.

“Entretanto, ainda não representa a garantia de uma vida livre de agressões para uma parcela significativa de milhões de brasileiras. Para diminuir a distância entre o texto legal e a efetiva fruição do direito, é preciso investir nos serviços especializados para garantir sua expansão no território nacional com qualidade e a democratização ao acesso à Justiça no País” –afirmou Souza.  

POR QUE É TÃO DIFÍCIL SAIR DE UMA RELAÇÃO VIOLENTA?

“Denunciar, não é fácil quando as agressões partem de uma pessoa com quem a vítima mantém relações íntimas de afeto, cujo rompimento coloca questões emocionais e objetivas, que envolvem a desestruturação do cotidiano e até mesmo o risco de morte para a mulher.

Neste cenário complexo, enfrentado por muito tempo de forma solitária, é fundamental que a mulher que rompa o silêncio e seja bem acolhida pela sua rede pessoal e pelos serviços de atendimento.

Na prática, entretanto, a falta de conhecimento sobre as especificidades deste tipo de violência faz com que a mulher, muitas vezes, acabe sendo julgada por não colocar um ponto final naquela situação” – explicou.

SUPERANDO A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

“A mulher que se encontra nessa situação precisa saber que não está sozinha e que, como se trata de um problema social, existem leis e políticas públicas para protegê-la.

Procurar informações e buscar apoio são os primeiros passos para sair da situação de violência.

Romper com a violência é uma decisão difícil, mas é importante pedir ajuda – e quanto antes melhor, uma vez que a tendência dos episódios de agressão é de agravamento.

O serviço Ligue 180 também pode apresentar uma saída para quem está no ciclo de violência, com abrangência nacional, pode ser acessado gratuitamente, 24 horas por dia, inclusive domingos e feriados” – finalizou.

Serviços:

CREAS – Centro de Referência Especializado de Assistência Social, localizado na R. José Amílcar Congro Bastos, 222 – Centro.

Para mais informações o número de contato é o (67) 67 3929 1811, faz o atendimento e acompanhamento de mulheres vítimas de agressões.

DAM – Delegacia de Atendimento à mulher, localizado na Rua Oscar Guimarães, 1655 – Centro. O telefone para contato é o (67) 3521-0227.

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