Alunos do curso de medicina da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) devem apresentar uma Carta Aberta para os vereadores de Três Lagoas na sessão desta terça-feira. O motivo: a incerteza dos estágios que devem ser feitos em hospitais, já que até o momento o Hospital Regional não foi concluído e também a insatisfação com a estrutura e com o corpo docente da instituição.
A reportagem do Portal Hojemais teve acesso a Carta Aberta. Segundo os alunos, a falta de um hospital que seja conveniado com a Universidade vem trazendo prejuízos incontáveis aos alunos, principalmente do 3º ano, já que neste período eles já deveriam participar de aulas práticas, que são possíveis de serem realizadas no ambiente hospitalar. “Na presente situação, os alunos têm realizado tais práticas apenas na Atenção Primária à Saúde, em Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centro de Especialidades Médicas, Clínica do Idoso, Clínica da Mulher, dentre outros locais”, diz um trecho do texto.
Conforme informações obtidas na Carta, a Pró-reitoria da UFMS pretende deslocar os alunos de Três Lagoas para Campo Grande para que eles possam realizar o internato no Hospital Universitário e Santa Casa da capital. Porém, alunos não são a favor da medida, visto que geraria gastos e readaptação dos mesmos que já possuem residência fixa em Três Lagoas. “Além disso, a cidade de Campo Grande já comporta outros três cursos de Medicina, os quais já encontram grandes dificuldades nas estruturas e em oferecer ensino de qualidade aos alunos que lá estão”, cita Carta.
Alunos entendem que essa realocação seria uma perda drástica para a comunidade três-lagoense, que teve na abertura do curso a promessa de melhorias na saúde local. É, no mínimo, lamentável que, justamente no momento de começar a colher os frutos de todos os investimentos realizados para a vinda e estruturação do curso de Medicina, os alunos sejam enviados para terminarem suas formações e realizarem atendimentos em outras localidades.
Faltando apenas oito meses para que a primeira turma inicie o Internato (denominação dos últimos 2 anos do curso, os quais possuem alta carga horária hospitalar), os alunos vivem a incerteza de como esse processo será realizado. Mesmo após inúmeras reuniões entre comissões da UFMS e Hospital Auxiliadora – que seria uma opção, caso o Hospital Regional não ficasse pronto -, nenhum caminho foi tomado e as últimas notícias informam que o internato possivelmente não será feito nessa instituição.
Alunos disseram ainda, por meio da Carta, que com o avançar dos anos e a chegada de novas turmas, o curso tem encontrado amplas dificuldades em alcançar esse objetivo. “Infelizmente, o curso que, inicialmente, teve enorme apoio e repercussão nos meios político e social, como promessa de melhorias à comunidade, encontra-se, na atualidade, aparentemente esquecido e de mãos atadas em relação a certos problemas”, disseram.
Em relação ao corpo docente, alunos disseram que faltam professores médicos e que eles são essenciais para a formação dos futuros profissionais. Segundo eles, a defasagem no corpo docente é um dos fatores que levam à necessidade de seguidas readequações da Estrutura Curricular (item que compõe o Projeto Pedagógico do curso e que define carga horária, distribuição de disciplinas e de atividades complementares durante o curso, dentre outros aspectos organizativos).