O mês e outubro é considerado especial para profissionais da área da saúde, visto que é o período em que a conscientização da prevenção do câncer de mama é trabalhada arduamente por várias instituições, com o objetivo de chamar a atenção das mulheres quanto à importância do autoexame e, principalmente, da realização de exames periódicos e da mamografia - nos casos de mulheres a partir de 40 anos ou partir de 35 quando já tem casos desse tipo câncer em familiares de primeiro grau.
A mamografia é um exame radiológico feito com um aparelho chamado mamógrafo que detecta o câncer de mama. Embora um ultrassom ou apenas o toque de um médico mastologista ou ginecologista também possam detectar alguns tipos de nódulos nas mamas, a mamografia é indispensável, já que pode detectar nódulos ou calcificações com aspectos cancerígenos antes mesmo de a doença se manifestar.
Em Três Lagoas, o exame só é possível ser feito pelo SUS via Hospital Auxiliadora, onde a Prefeitura possui contrato, já que o mamógrafo da Clínica da Mulher - mantida pela Secretaria Municipal de Saúde - está quebrado há um ano.
De acordo com o médico mastologista e especialista em reconstrução mamária, Luiz Otávio Zucca - que faz parte do corpo clínico do ICTL (Instituto do Câncer de Três Lagoas) - a falta do mamógrafo na Clínica da Mulher é considerada uma falha do município, pois exames de mamografia previnem em 30% o número de mortes decorrentes do câncer de mama.
Na opinião do especialista, o número de casos de câncer não diminui com o funcionamento pleno do mamógrafo na Clínica da Mulher; porém, o número de mortes sim. “É muito importante manter um aparelho desses em pleno funcionamento; o mamógrafo não é um aparelho caro - não estamos pedindo nada de mais e a população precisa que alguém cobre publicamente o funcionamento desse aparelho, já que é a mais prejudicada pela falta dele” - destacou.
Conforme Zucca, ter um aparelho funcionando na Clínica da Mulher significa atender um volume maior de pacientes via SUS (Sistema Único de Saúde) e uma cidade do porte de Três Lagoas precisa fazer, pelo menos, 500 mamografias por mês. “A Prefeitura contratou o Hospital Auxiliadora para fazer os procedimentos; porém, sabemos que o número de exames realizados é inferior ao que era na Clínica da Mulher”, explicou. Por telefone, a Assessoria de Comunicação do Hospital Auxiliadora informou que são realizados 142 exames de mamografias por mês - previstos em contrato com a Prefeitura.
Recentemente, o aparelho foi posto em funcionamento; porém, apresentou novamente, problemas e precisou ser desligado. Conforme Zucca, o empenho da Secretaria de Saúde em resolver a situação é considerado, mas o problema ainda não foi resolvido. “Eu reconheço que a secretaria é nova e estão fazendo o possível para arrumar o aparelho, mas ele continua parado” - pontuou.
Em relação ao mamógrafo da Clínica da Mulher, Zucca destacou que é um ótimo aparelho e é novo; dá para desenvolver um bom trabalho com ele.
A reportagem do Hojemais procurou a Prefeitura para falar sobre o assunto, mas não localizou os responsáveis para comentar sobre o conserto do mamógrafo da Clínica da Mulher.
*Com informações de Aurora Villalba