AO VIVO
Geral

Brasil está entre os países com maior toxicidade de pesticidas no mundo

Pesquisa global mostra que uso de agrotóxicos cresceu entre 2013 e 2019; país responde por parcela significativa da toxicidade total aplicada no planeta.

Da Redação
22/02/26 às 09h04
Avião pesticida (Cenipa/Divulgação)

O grau de toxicidade dos pesticidas aumentou em todo o mundo entre 2013 e 2019, com o Brasil figurando entre os países líderes nesse cenário. A conclusão é de um estudo publicado neste mês na revista Science, que contraria a meta de redução de riscos dos agrotóxicos até 2030, estabelecida na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP15). As informações são da Agência Brasil.

Pesquisadores alemães da Universidade de Kaiserslautern-Landau avaliaram 625 pesticidas em 201 países, utilizando o indicador de Toxicidade Total Aplicada (TAT), que considera o volume utilizado e o grau de toxicidade de cada substância. O estudo revela que seis de oito grupos de espécies estão mais vulneráveis aos níveis crescentes de toxicidade: artrópodes terrestres (como insetos e aracnídeos), com aumento de 6,4% ao ano; organismos do solo (4,6%); peixes (4,4%); invertebrados aquáticos (2,9%); polinizadores (2,3%) e plantas terrestres (1,9%).

O TAT global diminuiu apenas para plantas aquáticas (-1,7%) e vertebrados terrestres (-0,5% ao ano), grupo do qual os humanos fazem parte. “O aumento das tendências globais de TAT representa um desafio para o alcance da meta de redução de risco de pesticidas da ONU e demonstra a presença de ameaças à biodiversidade em nível global”, destaca o estudo.

Brasil em destaque

O Brasil aparece como um dos principais protagonistas desse cenário. O país é identificado como detentor de uma das maiores intensidades de toxicidade por área agrícola do planeta, ao lado de China, Argentina, Estados Unidos e Ucrânia. Juntos, Brasil, China, Estados Unidos e Índia respondem por 53% a 68% da toxicidade total aplicada no mundo.

A relevância brasileira está diretamente ligada ao peso do agronegócio, especialmente de culturas extensivas. Embora cereais tradicionais e frutas ocupem grandes áreas, a toxicidade associada a culturas como soja, algodão e milho exerce impacto significativamente maior em relação à extensão cultivada.

Tipos de pesticidas

Um dos achados mais relevantes indica que o problema é altamente concentrado: em média, apenas 20 pesticidas por país respondem por mais de 90% da toxicidade total aplicada. Diferentes classes químicas dominam os impactos:

Inseticidas como piretroides e organofosforados contribuíram com mais de 80% do TAT de invertebrados aquáticos, peixes e artrópodes terrestres.

Neonicotinoides, organofosforados e lactonas representaram mais de 80% do TAT de polinizadores.

Organofosforados, juntamente com outras classes de inseticidas, foram os que mais contribuíram para os TATs de vertebrados terrestres.

Herbicidas acetamida e bipiridil contribuíram com mais de 80% para o TAT das plantas aquáticas.

Fungicidas conazol e benzimidazol, juntamente com inseticidas neonicotinoides aplicados no revestimento de sementes, contribuíram principalmente para o TAT dos organismos do solo.

Herbicidas de alto volume, como acetoclor, paraquat e glifosato, pertencem a essas classes e têm sido associados a riscos ambientais e à saúde humana.

Meta global distante

O estudo avaliou a trajetória de 65 países e concluiu que, sem mudanças estruturais, apenas o Chile atingirá a meta da ONU de redução de 50% da toxicidade dos pesticidas até 2030. China, Japão e Venezuela estão no caminho para atingir a meta, mas precisam acelerar as mudanças no uso de agrotóxicos. Tailândia, Dinamarca, Equador e Guatemala estão se afastando da meta, com pelo menos um indicador dobrando nos últimos 15 anos.

Todos os outros países do estudo, incluindo o Brasil, precisam retornar os riscos de pesticidas aos níveis de mais de 15 anos atrás, revertendo padrões de uso consolidados há décadas em termos de volume e toxicidade das misturas.

Os pesquisadores indicam três frentes principais para conter a escalada dos riscos: substituição de pesticidas altamente tóxicos, expansão da agricultura orgânica e adoção de alternativas não químicas. Tecnologias de controle biológico, diversificação agrícola e manejo mais preciso são apontadas como estratégias capazes de reduzir impactos sem comprometer a produtividade.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM GERAL
Franquia:
Três Lagoas MS
Franqueado:
Empresa Jornalística e Editora Hojemais Ltda.
01.423.143/0001-79
Editor responsável:
WESLEY MENDONÇA SRTE/SP46357
atendimento@agitta.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.