O olhar iluminado da funcionária pública municipal, Délia Coimbra, disfarça a dor e a saudade da filha - Halley Coimbra Ribeiro Junqueira. Há um ano, Délia sofre com a morte inesperada da filha e, recentemente, encontrou alento em uma mensagem enviada por Halley - por meio da psicografia.
Assim como no filme “As Mães de Chico Xavier” - onde três mulheres vivem momentos distintos de suas vidas e que veem sua realidade se transformar repentinamente e recebem conforto e reencontram a esperança de vida no espiritismo - da mesma forma, fez Délia para amenizar a dor da ausência física.
Délia conta que no dia 19 de janeiro, o médium Nilton Cesar Stuqui esteve no Grupo da Fraternidade Espírita José Xavier e psicografou cartas com palavras de encorajamento - daqueles que se foram - para famílias que perderam seus entes queridos e ainda sofrem.
“Em julho, eu fui à cidade de Palmeira D’ Oeste em busca de uma carta, uma mensagem da minha filha; mas, não consegui. Eu recebi uma psicografia do bisavô da Halley pedindo para que eu perdoasse o Renato” - disse Délia.
"Minha mãe Délia, eu estou aqui mãe(...)"Halley Coimbra. (Foto: Arquivo Família)
Na manhã do sábado, dia 19, Délia lembra que foi até o túmulo da filha - como sempre faz – e, conversando diante da sepultura de Halley, pediu para a filha que, se a vida continuasse, para que ela falasse com a mãe.
Sem imaginar, no mesmo dia Délia recebeu a carta psicografada da filha falando que a vida não acaba.
“Eu não sei descrever o que eu senti; mas, agora estou mais fortalecida. A mensagem tem detalhes que me fazem acreditar que é minha filha que estava ali. Ela falou do pai, o chamou de Faustinho - apelido que somente nós o chamávamos em casa. E a assinatura no final da mensagem, é a dela” - falou Délia emocionada.
Délia destaca que, apesar de estar com o sentimento renovado com a mensagem da filha, ainda está de ‘pratos quebrados’ ou de mal de Deus.
“Para eu ficar bem com Deus, primeiro eu gostaria que a Halley viesse me dar uma abraço à noite e que eu me lembrasse desse abraço e que depois Ele recuperasse a minha fé. Eu perdi um filho, o Roger, com um ano e seis meses, vítima de atropelamento; pensei que Deus jamais me faria passar por uma situação dessas novamente; e, infelizmente, aconteceu com a Halley e também de forma trágica” - explicou a funcionária pública.
Durante a entrevista, Délia conta que suas netas - filhas de Halley e Renato - que ela chama, carinhosamente, de minhas joias, falam bom dia e boa noite para a mãe, diariamente. E quando estão com saudade da mãe, ficam no cantinho da Halley - que ela criou em casa para sentir-se mais próxima da filha. As meninas, quando fazem suas orações, também pedem para Deus curar o pai Renato Ottoni, que tirou a própria vida após atirar em Halley.
“Minha filha se foi; a dor da perda é infinita; mas, ela me deixou três netas lindas. Elas são o meu tônico de vida. A Halley era muito especial e generosa; talvez por isso ela tenha ido embora dessa vida tão depressa” - finalizou Délia.
Mensagem Psicografada de Halley
“Minha mãe Délia, eu estou aqui mãe, meu pai Faustinho me amparou ali mesmo na hora em que tudo aconteceu e o Renato perdeu a cabeça e fez o que sabem, eu não sofri mãe.
O Renato está ainda internando necessitando de cuidados necessários, eu ainda não fui vê-lo, por que ele não está pronto para me ver, não devo olhar para ele com olhos de acusação, só o perdão nos liberta.
Minhas filhas amadas Dominique, Luna, Lis a mãe não as esquece nunca, a mãe tá bem e viva. Meus irmãos queridos Rafaela e Rogeriane que Deus abençoe a todos. Mãe não guarde magoa os doentes não sabem o que fazem, ele não está perto de mim aqui não mãe, fica tranquila, Deus não deixa o mal seguir. Mae estude, compreende que a vida não acaba, por favor, se cuide, não pense que ele me matou, ele apenas me trocou de lugar, continuamos a viver, nossa consciência se encarrega de cobrar cada um na hora exata.
Eu sei mãe que o crime choca que a dor existe em teu coração, mas segue perdoando mãe, e cuide das minhas filhas, eu te amo, eu amo todos vocês.
De verdade eu não acreditava que ele faria o que fez, por isso não me protegi. Fiquem todos com Deus, com meu grato amor da sua amada Halley Coimbra Ribeiro Junqueira”.