“Não aceitamos cheques”. O alerta é cada vez mais comum no comércio, lojas e restaurantes das grandes e pequenas cidades.
A popularização das máquinas de cartão tem levado cada vez mais os brasileiros a deixarem de lado as folhas de cheque, inclusive os populares pré-datados.
O cheque está voltando à sua função original: ser utilizado em pagamentos de maior valor, como entrada da casa própria ou do carro. E, mesmo assim, agora sofre com a concorrência das operações digitais, como a Transferência Eletrônica Disponível (TED).
A reportagem conversou com Sueide Torres, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Três Lagoas, segundo Torres essa queda na utilização dos cheques se dá também ao fato do mesmo ter ficado desacreditado.
“Às vezes você pegava um cheque e o mesmo voltava sem fundo, então o fato de você pegar um cheque e depois ter que correr atrás do cliente ou entrar na Justiça fez com que a grande maioria dos comerciantes começasse a trabalhar com o cartão de crédito e débito, sendo notado que 99% das vendas hoje são realizadas dessa forma” - afirmou Sueide.
Dados da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) mostram que, em 1995, foram compensados 3,3 bilhões de cheques no país. Já em 2016, esse total caiu para 576,4 milhões. E a tendência, segundo os especialistas, é que esse número encolha ainda mais, embora ninguém acredite que o cheque vá desaparecer por completo.
O presidente do Sindivarejo também aproveitou para fazer uma alerta, pois o estabelecimento que não aceita o cheque como pagamento deve deixar informes visíveis aos clientes, caso contrário o comerciante é obrigado receber o cheque, sendo isso uma determinação do Procon (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor).
“Hoje o cheque é facultado mais aquelas pessoas que não têm nenhum tipo de restrição no nome e tem um cadastro bom nas empresas. Muitos que hoje querem comprar com o cheque, é porque não tem o cartão de crédito e outras usam por conservadorismo. Com isso o cheque tende a cair no desuso, deixando de ser preferência não só dos comerciantes mas também dos compradores. Eu acredito que essa forma de pagamento não irá sumir mas será utilizado para poucas situações, tanto que hoje a própria legislação federal impede que o cheque seja abolido” – concluiu Torres.