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Deficientes estão sem representação em TL

Segundo Censo 2010, cidade tem 23.073 pessoas com algum tipo de deficiência

Da Redação  - Hojemais Três Lagoas 
28/09/19 às 07h15
Foto: Aurora Villalba

Setembro é o mês dedicado também à luta da pessoa com deficiência no Brasil. Por conta disto, o Jornal Hojemais tentou, sem sucesso, obter estatísticas atuais sobre o quantitativo exato ou aproximado de pessoas com deficiência em Três Lagoas.

Algumas informações foram conseguidas junto ao Consep/MS (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Mato Grosso do Sul), com sede em Campo Grande. Os números repassados pela diretoria executiva do Consep são relativos ao último Censo 2010 do IBGE que, na época, tabulou que em Três Lagoas havia 23.073 pessoas com algum tipo de deficiência.

Sobre o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência, foi repassada a informação de que não haviam recebido nenhum comunicado por parte do município quanto a este assunto, ou seja: Conselho Municipal em Três Lagoas não estava ativo.

Questionada acerca do assunto, Rosires Magalhaes da Silva, diretora do Departamento de Políticas Públicas e Institucionais da Prefeitura, confirmou que o referido conselho não está funcionando na cidade, mas que na próxima semana, possivelmente, ele será reativado no município.

Experiência

Em entrevista ao Hojemais, a digital influencer e modelo fotográfico, Paulinha Chacrá, 26 anos, que é cadeirante, uma pessoa super bem resolvida com suas limitações, afirmou que se pessoa com deficiência ficar apegada apenas aos seus direitos ela vai viver enclausurada dentro de casa.  

Ela comentou que a pessoa com deficiência sempre esteve longe dos espaços de fala e decisão. Seja por preconceito, discriminação, estigma, e que na verdade é que a pessoa com deficiência é tratada por muitos como alguém inferior.

É inegável o avanço com a aprovação da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Mas, ainda que tenhamos avançado, tal avanço não tem se refletido como deveria em relação à inclusão social da pessoa com deficiência. A maioria ainda enfrenta imensa dificuldade no acesso a direitos básicos, como saúde, educação, habitação e trabalho.

Paulinha Chacra disse que a percepção social ainda é pautada em critérios médicos, isto é, vê-se a deficiência como uma doença e uma responsabilidade da pessoa e da família em prover os meios necessários para que possa exercer direitos constitucionalmente garantidos a todos os cidadãos.

“Temos dificuldades de acesso em todos os locais: banheiros públicos, atravessar a rua, agências bancárias, lojas, escolas, e sem contar que ainda temos que enfrentar o preconceito. Não existe também respeito por parte dos motoristas quando estamos até na faixa de pedestre” destaca Paulinha Chacrá.

No sentido oposto, a Convenção e a LBI, consideram que a deficiência é causada pela sociedade, que não provê à pessoa com deficiência meios de exercer seus direitos em igualdade de condições com as demais pessoas.

Nossa entrevistada frisou que em Três Lagoas a exemplo de várias cidades brasileiras falta quase tudo quando assunto é acessibilidade para pessoas com algum tipo deficiência. Prosseguiu, informando  que são pouquíssimas calçadas rebaixadas, quase nada também investidos na construção de rampas de acesso, e quando se constrói a maioria estão inadequadas, não existe semáforo adaptados para deficiente visual e nos casos referentes acessibilidade em prédios públicos também não está 100%, a exemplo do prédio do Procon na cidade onde os cadeirantes não conseguem ter acesso, um funcionário tem que se deslocar até a porta do prédio para atende este consumidor, e por ai vai.

“A lei é clara, e os órgãos públicos e privados tem que garantir acessibilidade, mas isto ao menos em Três Lagoas e na maioria das cidades brasileiras ainda não está longe de ser uma realidade. Não podemos ficar limitados apenas no centro da cidade, acessibilidade tem que existir em todos os bairros de Três Lagoas” finalizou.

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