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DIA DOS PAIS: muito mais do que um dia especial

Pais solteiros e casados comentam os desafios da relação com seus filhos

Daniela Galli - Hojemais Três Lagoas
07/08/21 às 08h00

Já é sabido que mais de cinco milhões de brasileiros não têm o nome do pai na certidão de nascimento. Os números vão além: mais de 11 milhões de famílias em nosso país são formadas por mães ‘em carreira solo’. 

Apesar disso, o segundo domingo de agosto é dedicado a comemorar a convivência daqueles que cumprem muito bem o papel a que lhes foi confiado: é o dia dos pais. No Brasil, inicialmente, a data era comemorada no dia 16 de agosto, dia de São Joaquim, que é pai da Virgem Maria e avô de Jesus. A data foi celebrada pela primeira vez em 1953. 

É mais comum ouvir o termo “mãe solteira”, do que “pai solteiro”, não é mesmo? Porém esta é a realidade do servidor público Carlos Eduardo Moreira Ayres de Souza, de 42 anos. Ele é pai de Catarina Luvezuti Ayres de Souza de  12 anos e dos gêmeos Luíza Luvezuti Ayres de Souza e Eduardo Luvezuti Ayres de Souza, de cinco. 

“FOMOS ESCOLHIDOS”

O empresário Thiago Eubanque, de 37 anos e o publicitário Fernando Miranda estão juntos há mais de 10 anos. Há seis, um novo integrante passou a fazer parte da família: Victor Hugo, que foi adotado pelo casal depois que eles permaneceram dois anos na fila de espera. 

Ambos dizem que, quando viram o menino sabiam que se tratava do filho dele, por isso dizem que não foram eles que escolheram o filho e sim que eles foram escolhidos. 

A rotina da família é como qualquer outra. “Recolhemos brinquedos espalhados pela sala, nos dedicamos às aulas online dele, temos nossos trabalhos. No final do dia sempre conversamos sobre como foi o dia de cada um”, diz Miranda. “O que mudou na verdade depois da chegada do Victor foram as reponsabilidades com horários. Em tudo pensamos nele antes. Mas em geral flui normalmente”, comenta Eubanque. 

Souza foi casado com a mãe das crianças por 10 anos e há dois anos e meio está divorciado. A mais velha, Catarina, moram com ele em Três Lagoas há mais ou menos um ano.
Os gêmeos moram com a mãe em Andradina. 

O processo de divórcio não foi fácil. “Catarina era a maior e já entendia o que estava acontecendo, por isso foi bem difícil pra ela. Os gêmeos não perceberam a mudança na rotina e eu também fiz questão de me manter presente na vida deles. 

Como ‘pai solteiro’, a rotina dele é a mesma das inúmeras ‘mães solo’ que todos já conhecem: leva filha na escola, vai ao supermercado, organiza compras, vai ao trabalho, busca filha, faz comida, lava louça, vai à academia, entre outras atividades que um dono de casa tem que fazer para manter tudo em ordem. Hoje em dia todos já entenderam bem a nova configuração familiar e presam para que tanto o pai quanto a mãe convivam em harmonia. 

O servidor explica que a pandemia facilitou um pouco o processo de mudança de Catarina para sua casa. “Com as aulas online, ela pode permanecer mais tempo comigo desde março de 2020”. 

A configuração familiar ‘dois pais e nenhuma mãe’ nunca foi questionada pela criança. “Ele acha o máximo.
Para ele é assim e ponto. Tudo muito natural. Só em datas comemorativas como o dia das mães ele pergunta para quem vai dar a lembrancinha da escola, mas ele mesmo responde e escolhe a vó ou a tia dele. Simples assim”, explica o empresário. 

Os dois já nem se lembram mais de como era a vida antes do filho. “É como se ele tivesse feito parte da nossa vida desde sempre”, garantem, “É preciso muita responsabilidade, mas é a melhor coisa que já aconteceu em nossas vidas”.

O pai diz que foi mais ou menos nesta época que ela começou a verbalizar o desejo de morar com ele. Foi ela mesma quem tomou a iniciativa de conversar com a mãe sobre isso. Todo o processo foi manejado pela psicóloga que a atendia. “Em agosto de 2020 eu e a mãe dela decidimos oficialmente que ela moraria em minha casa em Três Lagoas”.

Ele se diz também preparado para lidar com as próximas demandas da adolescência da filha. “Aqui não falta amor, acolhimento e dedicação. Catarina nasceu para ser ela mesma e eu, como pai, estarei aqui para orientá-la e protegê-la quanto precisar”.

Aos pais que passaram pela mesma situação que ele, o principal conselho de Souza é que procurem pessoas que também estejam na mesma situação. “É preciso entender que o formato de família deles também é legítimo e genuíno”. Outra dica que ele dá é fazer atividades cotidianas com os filhos. “Isso dá a sensação de pertencimento, cria nas crianças memórias afetivas e favorece ainda mais a conexão entre pai e filhos”.

COM A PALAVRA: OS FILHOS

Catarina diz que a convivência com seu pai é muito boa. “A gente se dá super bem, um respeita o outro”. Moram com o pai, para ela é muito bom. “Amo a minha mãe e adoro estar com ela, mas na casa do meu pai me sinto mais ouvida. Ele é o melhor pai de todos e nada mais importa”.

Victor, no auge dos seus seis anos de idade, também nos deu a honra de conceder uma entrevista. “Eu gosto quando meu pai Thiago me ajuda a estudar matemática e geografia e gosto quando meu pai Fernando coloca filmes e séries para a gente assistir”.

É claro que nem tudo são flores né? “Não gosto quando meu pai Fernando não deixa eu jogar vídeo game e ficar acordado até tarde”.


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