Uma pesquisa inédita desenvolvida em Mato Grosso do Sul investiga até que ponto a superstição da população interfere na matança desenfreada de tamanduás-bandeira no estado. Parece mentira mas, em pleno 2018, muitas culturas preservam o hábito de agredir esses animais por acreditar que eles “atraem” azar.
A exemplo de animais como o gato preto e sua relação com má sorte, em países como o Brasil, Bolívia, Colômbia e Costa Rica é muito forte a crença de que o tamanduá-bandeira é portador de mau-agrouro.
“As crenças folcóricas levam a uma visão negativa da espécie”, explica a bióloga Mariana Catapani, à frente do projeto de doutorado “Da superstição à perseguição: os motivadores dos conflitos humano-fauna motivados por crenças de mau-agouro” pela USP (Universidade de São Paulo).
O trabalho foi motivado pelo alto número de relatos de moradores de áreas rurais sobre a ligação do animal como símbolo de azar, bruxarias.
“São quase dez anos conversando com trabalhadores rurais. Há superstição de que se encontrar um tamanduá antes da pescaria, não terá peixe algum, ou que se o bicho aparecer no meio do caminho, é melhor voltar para casa”, explica.
A bióloga pretende realizar 300 entrevistas, Já foram ouvidos cerca de 70 trabalhadores rurais no Cerrado e Pantanal e mais de 80 caminhoneiros no estado.