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Homem trans se alista no serviço militar

Pedro Soares Nogueira é o primeiro homem transexual de Araçatuba (SP) a se alistar

Manu Zambon - Hojemais/ Araçatuba
03/02/20 às 14h15
O jovem Pedro Soares Nogueira, 23 anos,  é o primeiro homem transexual de Araçatuba (SP) a se alistar.  Foto Nayara Herrera

O jovem Pedro Soares Nogueira, 23 anos,  é o primeiro homem transexual de Araçatuba (SP) a se alistar.

Transexuais homens (que nasceram com o sexo biológico feminino, mas se identificam com o gênero masculino) precisam fazer o alistamento militar, caso tenham retificado seu registro civil e estejam na faixa etária de 18 a 45 anos. O alistamento independe se a pessoa fez ou não a cirurgia de redesignação de sexo.

O jovem é desenvolvedor de sistemas e tem uma namorada com a qual planeja se casar. E como todos os rapazes que alcançam a maioridade, também precisou fazer seu alistamento na Junta do Serviço Militar.

"Eu não sou Pedro só por conta de um pedaço de papel, sou Pedro independente disso. A sociedade faz acreditar que a gente só é a gente mesmo, se existir um documento com o meu nome Pedro. Já ouvi pessoas me falando: - Só vou te chamar assim, depois que você mostrar o seu documento com esse nome” disse o jovem. 

Só há três meses que ele conseguiu retificar seus documentos civis, e enfim, alterar seu gênero e nome social. Desta forma,  Pedro é o primeiro homem transexual de Araçatuba (SP) a se alistar, segundo o que apurou a reportagem,( Hojemais Araçatuba) mesmo a Junta do Serviço Militar não confirmando a informação.

A retificação do registro civil de Pedro foi feita em novembro do ano passado, no cartório em Araçatuba. A partir disso, também alterou seus outros documentos e soube que, para tirar seu passaporte, teria de apresentar o certificado comprovando seu alistamento.

“Com todos os documentos alterados, fui até à Junta do Serviço Militar. Lá, eu disse que era trans e eles falaram que nunca fizeram esse tipo de processo. Saí com o certificado de alistamento e em julho disseram que vão entrar em contato para me informar se serei dispensado ou não”, explica.

Pedro conta que teve dificuldade e o processo gerou um desgaste psicológico, porque não tinha informações suficientes sobre o assunto.

“Os homens cis (homem que nasceu com o sexo masculino e possui identificação com o gênero masculino), que já cresceram num certo ambiente, já sabem o que fazer e se não sabem, pedem para o pai. Não tive essa informação desde pequeno. Não tive para onde correr. Cheguei até a ir no lugar errado. Eu estava esperando e chegou um menino de 18 anos com o pai. Pra mim, levar o meu pai seria psicologicamente mais desgastante”.

O desenvolvedor conta que quando começou a se entender como homem trans, teve acesso ao acompanhamento psicológico com terapeuta e isso tornou a transição mais fácil para ele. No entanto, há algumas dificuldades com relação à sociedade.

“Mesmo antes de eu falar que era um homem trans, já me sentia confortável em ser chamado de Pedro. Eu, comigo mesmo, sempre tive essa noção (...). Minha mãe sempre me apoiou, deu liberdade para eu ser quem sou. Mas é difícil entender algumas coisas em relação à sociedade. E a maior parte do que a sociedade nos dá, são coisas ruins e a gente tem que aprender a tratar isso”.

Ele, que já morou no Canadá, explica que a forma como foi tratado no país foi diferente. Lá, segundo Pedro, as pessoas respeitavam o seu nome social e o tratavam da forma como ele pedia para ser chamado.

“A proporção dos que me veem como homem é maior do que a porcentagem que me vê como mulher. Errar pronome, a gente até entende, porque entre os amigos trans, isso também acontece. Só que existe uma linha fina entre o descaso e o erro.”

 

 

 

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