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Jogos violentos podem influenciar o comportamento?

Assunto voltou a ser discutido depois do massacre de Suzano

Ana Carolina Kozara - Hojemais Três Lagoas
18/03/19 às 09h40
Imagem da abertura do jogo Free Fire

O massacre de Suzano, interior de São Paulo, despertou mais uma vez a discussão sobre os jogos eletrônicos, principalmente os que tem conteúdo violento. A psicóloga Anatielle Paula de Souza conta que este tipo de conteúdo pode sim influenciar o comportamento de crianças e adolescente dependendo do estado emocional e as situações que estas pessoas estejam enfrentando.

De acordo com a psicóloga, os pais precisam ficar atentos em relação à classificação indicativa dos games que os filhos estão jogando, além de monitorar as páginas que as crianças e adolescente tem acesso.

Anatielle diz que a discussão é polemica e que não quer dizer que todos os gamers deste tipo de jogo vão desenvolver comportamentos violentos, porém uma pessoa que passa por um desequilíbrio emocional, pode utilizar este tipo de conteúdo como inspiração para cometer um crime bárbaro, como foi o caso da escola de Suzano ocorrido na quinta-feira (14) e em uma igreja na Nova Zelândia, que aconteceu um dia depois do massacre brasileiro.

Anatielle Paula de Souza, psicóloga. (Foto: Ana Carolina Kozara)

Em entrevista ao Hojemais, Anatielle disse que é preciso falar sobre a adolescência, um período conturbado, de transições emocionais, cérebro se formando, além das mudanças físicas, psicológicas e sociais que acontecem neste período e, principalmente, é necessário tratar da saúde mental e emocional de nossas crianças.  

Sobre esta ser a geração do “Mimimi” como muitos disseminam nas redes sociais, afirmando que em “sua época” as coisas eram diferentes, Anatielle pontua que hoje em dia as crianças e adolescentes são criados de outra maneira, tem menos convívio com os pais e passam mais tempo nas escolas e expostos à tecnologia, além disso estão crescendo os casos de depressão e ansiedade entre este público.

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Bullying no massacre de Suzano

Para a psicóloga, é preciso analisar o que está por traz da tragédia, com o intuito de prevenir que casos parecidos voltem a acontecer em nosso país.

As primeiras informações seriam de que os atiradores de 17 e 25 anos, eram vítimas de Bullying o que teria sido o gatilho para o ataque.

Anatielle, explicou que o Bullying é um tipo de violência, são ações agressivas e intencionais que acontecem repetidamente. Elas podem ser verbais ou físicas, os ataques são realizados em diversos ambientes, e são mais comuns em escolas.

O Bullying é um fator de risco para a saúde mental do agredido, podendo acarretar em estresse, queda na autoestima, depressão, ansiedade, fobia social e até mesmo em surtos.

Os pais, amigos, professores e todos os que convivem com crianças e adolescentes devem ficar atentos em alguns sinais, que podem identificar que seu ente querido está passando por dificuldades emocionais, pode estar sendo vítima de bullying e precisa de ajuda. São eles:

  • Mudança de comportamento;
  • Queda no rendimento acadêmico;
  • Dificuldade de concentração;
  • Isolamento, busca excessiva por tecnologias como um recurso de “fuga”;
  • Comportamento agitado, apático ou agressivo;
  • Tristeza/ desânimo, perda de interesse pelo que gostava;
  • Quer faltar ou trocar de escola;
  • Medos excessivos.

Intervenções

Em caso de detectar algum sinal a família deve conversar com a vítima, buscar auxiliar na resolução do problema e caso verifique que as ações não estão surtindo efeito, é importante recorrer a ajuda de um psicólogo, para que o profissional interceda no caso.

As escolas também podem auxiliar no processo, realizando palestras de prevenção, capacitando professores e funcionários para diagnosticar se casos de bullying estão acontecendo na instituição e a qualquer sinal deste tipo de violência iniciar imediatamente grupos de reflexão, conversas com os envolvidos, além de comunicar os pais das vítimas e dos agressores.

Anatielli ainda pontuou que é muito importante a ajuda dos adultos neste processo, pois a maioria das crianças tem dificuldade em diferenciar uma brincadeira de uma agressão psicológica.

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