Um fato gerou debate entre três-lagoenses no início dessa semana nas redes sociais, após uma publicação do Campo Grande News. Uma jovem, de 23 anos, foi à uma boate LGBT em Campo Grande, usando um "X" feito de fita isolante que tapava os mamilos, estava com uma jaqueta de couro por cima, mas ao tirar a peça mais pesada por conta do calor, foi abordada por dois seguranças e obrigada a "se vestir".
Alguns concordaram com a atitude dos seguranças, outras repudiaram a forma com que a moça foi abordada. “Caído ou não, bonito ou feio, EU não acho correto! Sabemos que seios não são órgão sexuais, porém sabemos que é um órgão que estimula o prazer! (Tanto em homens, quanto em mulheres) ”, diz um dos comentários.
“Ué, mas o que mais tem na balada é mina com blusinha de tule transparente que por baixo é assim que é praticamente a mesma coisa, porque assim não pode? ”, rebate outro.
“Olha se os 'omi' podem desfilar por aí mostrando o peito qual a diferença de uma mulher? Por que tudo na mulher tem que ser sexualizado? E a frase "ah, mas é homem" não é argumento, é conteúdo de gente que não tem explicação coerente. A tal da ética só serve para tapar o sol com a peneira e privilegiar o patriarcado”, afirma uma internauta.
“Usar com uma blusa tule preta por cima ainda vai, mas em um festival eletrônico isso é normal. Agora não vem pôr isso aqui nessas festinhas do MS”, pontua outra três-lagoense.
Segundo o Campo Grande News, Thamiris reforça que, quando chegou, acompanhada de seus amigos, já estava com o "X" nos mamilos, mas a jaqueta fechada, com tudo tampado e que os funcionários não disseram nada a respeito. “Eu não discuti, não falei nada, e falei que ia por uma blusa minha que estava guardada na bolsa. No que eu abri a bolsa pra pegá-la chegou um segurança homem, pegando no meu braço falando para eu por logo”, recorda.
Paulinha Martinelly, presidente da Associação de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais, comentou o caso em volta da generalização que criaram sobre o fato ser comum entre travestis e boates destinadas ao público LGBT. “Ela não estava em local público e sim em local privado e com regras sobre o evento. Difícil ter a liberdade de comportamento em um país machista, preconceituoso e cheio de regrinhas mal cumpridas. Embora que um corpo seja apenas um corpo. Mas ninguém fala sobre as drogas, sexo sem preservativo, brigas, fofocas, etc., típicos em uma balada sendo ela LGBT ou não”, destaca.
“Um machismo de todos os gêneros e seguimentos sexuais. Pela ilustração percebi uma blusa ou capa sobre a moça. Eu uso sutiã, mas se um dia não quiser usá-lo acredito que meu corpo é minha regra e a sociedade são pessoas e não juízes hipócritas. Se cada um tivesse a responsabilidade de cuidar de suas vidas nada no mundo viraria fofoca ou ocupação dela”, completa.