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Morador de Ilha Solteira relembra os momentos em Brumadinho

"Deus me segurou com as duas mãos e me deu outra oportunidade de viver."

Julia Rafaela  - Hojemais Três Lagoas
22/02/19 às 09h30
Morador de Ilha Solteira (SP) é um dos sobreviventes da tragédia em Brumadinho (MG) — Foto: Reprodução/TV TEM

Para muitos, a simples recordação ainda machuca, aqueles poucos minutos quando recordados geram desespero e muita angustia, assim é a vida de grande parte dos sobreviventes da tragédia em Brumadinho MG, após o rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão. Mesmo diante de todo sofrimento, o reconhecimento de uma segunda chance é inevitável, afinal foi do barro que muitos se foram e outros renasceram.

No dia em que a estrutura se rompeu, Lieuzo morador da cidade de Ilha Solteira interior de SP, estava trabalhando na mina junto de outros colegas. Hoje a menos de uma semana para se completar um mês do ocorrido, o sondador ainda carrega no corpo cicatrizes as quais remetem todo medo vivenciado naquele 25 de janeiro de 2019.  

“Na hora não me passou nada pela cabeça, foi tudo muito rápido e eu fiquei fora de mim. Quando abri os olhos só vi os rejeitos, eu chamava pelos meus colegas mas ninguém respondia, foi muito triste” – disse Lieuso emocionado.

“Na hora não me passou nada pela cabeça, foi tudo muito rápido e eu fiquei fora de mim. Quando abri os olhos só vi os rejeitos, eu chamava pelos meus colegas mas ninguém respondia, foi muito triste” – disse Lieuso emocionado.

Os números são atualizados diariamente e 134 famílias esperam notícias e se agarram as esperanças de encontrar o parente que ficou em meio a toda devastação. A mãe clama pelo filho, o marido relembra os momentos felizes com a mulher e os filhos choram de saudades do pai.  

O último balanço foi realizado na quinta-feira (21), onde o número de mortos confirmados apontavam 176.

Imagem reprodução
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Em entrevista ao Hojemais, Lieuso conta que esperou cerca de cinco horas pelo resgate.

“Eu sentia muita sede e quando me encontraram foi um alivio, eu nasci de novo” – relembra o sondador.

“Eu sentia muita sede e quando me encontraram foi um alivio, eu nasci de novo” – relembra o sondador.

Com a força da lama e a quantidade de rejeitos, Lieuso sofreu uma fratura na perna direita, mas essa é apenas uma das cicatrizes.

“Foi sofrido mas não tem alegria maior do que a de estar vivo. O reencontro com minha família foi maravilhoso, Deus me segurou com as duas mãos e me deu outra oportunidade de viver, eu me emociono quando falo porquê os meus colegas não tiveram a mesma sorte” – finaliza o sobrevivente.

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