Seria cômico, se não fosse trágico. Você beijaria publicamente o homem que lhe desferiu cinco tiros? Você pediria ao juiz para beija-lo durante o julgamento versando sobre o caso? Pasmem, mas isso aconteceu. Após depoimento, uma mulher vítima de tentativa de feminicidio abraçou e beijou o ex-namorado, que havia lhe atingido com cinco tiros.
O caso aconteceu ontem (28) uma testemunha de um julgamento que estava sendo realizado no Fórum da cidade de Venâncio Aires, fez um pedido inimaginável para o juiz que presidia o júri.
O crime aconteceu em 8 de agosto do último ano, quando Micheli e Lisandro, que estavam juntos há um ano e seis meses, teria brigado após a vítima descobrir mensagens de uma mulher no celular do acusado. Segundo a vitima, após isso, teria começado a provocar o namorado. “Eu falei que iria ficar com os amigos dele e que iria denunciar ele por estupro”, disse Micheli.
Lisandro teria saído do local após a discussão e retornado com uma arma, calibre 22, e atirou diversas vezes contra a vítima. Micheli foi atingida por cinco disparos, sendo dois na cabeça, dois no braço esquerdo e um nas costas. A mulher disse, ainda, acreditar que as ameaças foram suficientes para que ele cometesse o crime, e elogiou o ex-companheiro. “De todos os homens que eu tive, foi um dos melhores. Não posso reclamar, ele não é uma pessoa ruim. Me tratava de forma melhor impossível, me levava para tudo que é lugar. Eu era uma rainha para ele”, afirmou.
Preso na Penitenciária Estadual do município, o acusado de 28 anos estava sendo julgado por tentativa de feminicidio por ter desferido cinco tiros contra a vítima de 25 anos. O acusado foi condenado a sete anos de detenção em regime semiaberto, cinco pela tentativa de feminicidio e dois por porte ilegal de arma. Ele poderá recorrer em liberdade.
Durante o julgamento, a vítima levantou-se e fez um pedido que deixou jurados, audiência e o juiz João Francisco Goulart Borges – que presidiu ao julgamento. Ela pediu para que lhe fosse permitido dar um beijo e abraçar o réu. O magistrado consentiu e ela e o réu se abraçaram e se beijaram. O plenário ficou atônito, sem saber como reagir. Após o beijo, os dois voltaram a seus lugares e se sentaram.
Quando chegou a sua vez de se manifestar, o réu pediu ao Conselho de Sentença que lhe desse uma nova chance para recomeçar a vida. O réu afirmou não “querer retornar para aquele inferno (a penitenciária)”. Em seguida, voltou ao seu lugar.
O advogado de defesa, Jean Menezes Severo, argumentou que a pessoa mais interessada no julgamento, a ex-namorada do réu, já o perdoara e, por isto, os jurados também poderiam fazer o mesmo. Severo salientou que o réu merecia a chance que estava pedindo.