O sentimento de se ver em qualquer lugar ou posição dentro da sociedade através de outra pessoa, está ligado diretamente a representatividade. Uma pessoa se sente representada ao ver outra, com características ou pensamentos semelhantes aos seus, em uma posição que ela acha que não possa estar.
Por meio deste pensamento a três-lagoense, Giovanna Coelho, 27, criou um perfil no instagram - @depoisquepari2 – onde conta seu dia a dia, com seus dois filhos, Maju e Martin.
Giovanna posta textos diariamente desconstruindo temas como: transição capilar, maternidade, amamentação, rotina de serviços de casa e etc.
A jovem conta que criou o perfil como um respiro da maternidade, “Tem sido incrível a experiência, conheci várias mulheres onde conversamos e trocarmos conhecimento”. contou
Giovanna contou a nossa reportagem como foi se descobrir negra, “Eu fui criada por uma mulher branca, cresci longe da família do meu pai que é preta.
Não vi racismo pois não sabia o que era, como eu disse, minha mãe é branca e ela me protegeu de tudo o que pode.
Fui entender a importância da representatividade e de amar quem eu sou depois que engravidei com 22 anos. Tive que passar pela transição e foi onde comecei a estudar racismo, aceitação, identidade.
Confesso que sei muito pouco sobre o assunto, mas sinto na pele (literalmente) como é ser mulher e preta.
Me vi como uma mulher preta sendo mãe de crianças brancas e enfrentando o racismo na rua quando me perguntaram se eu era a babá deles.
Mulheres pretas não eram/são vistas como algo usável, descartável. Importante comemorar o dia 25 pela nossa emancipação e importância na sociedade”, disse.
Por muitas décadas, como consequência da cultura racista brasileira, os cabelos crespos nunca foram associados a beleza, muito pelo contrário: por eras, ter cabelo crespo era sinônimo de ser sujo e desleixado. Nas novelas – principal mídia consumida pelos brasileiros – os negros de cabelo crespo eram os empregados, os “favelados” ou os bandidos.
Para entender os efeitos negativos desta associação, é só parar para pensar: como vai se sentir uma criança negra que só vê brancos com cabelos lisos nas propagandas? Ou consumindo filmes, desenhos, programas de TV, histórias em quadrinhos onde todos os mocinhos e mocinhas são brancos de cabelo liso?
Além disso, a representatividade também é responsável por fazer com que o público que se encaixe nessa descrição se sinta representado e consiga assumir o que é de verdade, sem a noção de que precisa passar por processos estéticos caros e que danificam o cabelo só para se encaixar um padrão inexistente e totalmente discrepante da realidade brasileira.
