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Passageiros e moradores próximos da rodoviária convivem com o medo de marginais

Moradores, passageiros e comerciantes relatam o medo por conta de usuários de drogas, e marginais que agem nas proximidades

Hojemais Três Lagoas - Albecyr Pedro e Aurora Villalba
05/10/19 às 11h00

O terminal rodoviário de Três Lagoas e seu entorno tem sido alvo de muitas reclamações por parte de passageiros, taxistas, mototaxistas, comerciantes e moradores, devido a furtos, assaltos, arrombamentos de imóveis, e o incômodo por conta de usuários de drogas. São muitos os problemas que assolam a região, ressaltam os entrevistados do Hojemais que se dizem incomodados com o que eles consideram uma grave situação.

Para o presidente da Associação dos Taxistas de Três Lagoas, Geraldo Gomes de Oliveira, 53 taxistas regularizados se revezam nos plantões. São 17 carros trabalhando na rodoviária, além do preposto, que são pessoas que trabalham junto com os taxistas.

Conforme explica, cada taxista tem direito a um preposto. “A maioria possui um preposto para o carro não ficar parado. O taxista não aguenta trabalhar 24 horas sem parar e tem pessoas que trabalham por comissão. Metade para o dono do carro e metade para o folguista” reforça o presidente que pede mais atenção do poder público, já que todos presenciam diariamente, andarilhos, e viciados em drogas, que pedem dinheiro, e quando é negado, furtam, roubam, ameaçam e incomodam os passageiros.

“Um calor escaldante e os taxistas não podem cochilar. Alguns ainda arriscam dar uma descansada dentro do carro com o vidro aberto. Viciados andam dia e noite para cima e para baixo na região, e todos sabem do risco”, afirma o presidente.

Para Josefina Francisca Alves, de 70 anos, moradora desde 1980 das proximidades do terminal rodoviário, ‘acabou o sossego’, já que muitos usuários de drogas rasgam e jogam os lixos nas ruas. Segundo relata a idosa, muitos moradores da região passaram a por o lixo poucos minutos antes do horário em que passa o caminhão da coleta.

A moradora contou que outro dia, um usuário de drogas muito conhecido nos meios policiais, que estava extremamente agressivo chegou a lhe dar uma ‘voadora’, e a armar um murro em direção ao rosto de uma amiga.

“Ele xinga, agride as pessoas, rasga os lixos dos moradores. É uma bagunça o que apronta este homem. A região antigamente era um sossego, no entanto, de uns dois anos para cá, a coisa ficou preta”, conta a antiga moradora da região.

Outro fato narrado pela moradora, como ela mesmo diz, que vem ‘tirando seu sono’ é o drama vivido por conta do filho que é cadeirante, e morador da Rua João Carrato, também na região do terminal rodoviário.

Conforme a moradora, ela trabalha na casa deste filho, e perto do local sempre encosta alguns usuários de drogas. Outro dia segundo ela, o filho ligou para tirar as suas roupas que estavam estendidas no varal e confessou estar com medo de ser agredido ou roubado por eles.

“Eu não tenho dormido depois que eu vi os viciados em drogas perto da casa do meu filho. Quem reside nas proximidades da rodoviária sofre as consequências inclusive da desvalorização de seus imóveis. No mercado não dá mais para entrar também por causa dos pedintes. Eu não vou mais à Igreja durante a noite, e confesso que tenho medo de passar por certos lugares, assim como a maioria dos moradores da região”, conta a senhora Josefina.

Ainda segundo a moradora, muitos viciados dormem na rodoviária, outros ficam usando drogas embaixo de árvores, na escuridão e próximos de casas dos moradores.

“Vai à região da ‘Zona Velha. Embaixo das árvores tem muitos viciados e cada vez chegando uns mais estranhos que outros. No dia da chuva, uma mulher agressiva, entrou na casa que tenho nos fundos e que eu aluguei para uma mulher, colocou um capuz no rosto, e furtou dois aparelhos celulares. Depois disto a mulher foi embora”, finaliza a moradora.

A reportagem também conversou com o mototaxista, Aparecido da Silva, de 56 anos, que trabalha próximo do terminal rodoviário, e resumiu o que presenciou ao longo dos 20 anos na região.

Segundo ele, o mesmo drama, é a mesma situação relatada e vivenciada por outros entrevistados, que é o problema dos usuários de drogas e pedintes, que amolam os passageiros do terminal.

“Se a pessoa se negar a dar dinheiro, te cercam e ameaçam. Você ainda corre o risco de ser agredido, assaltado, ou furtado”, contou Aparecido.
Segundo ele, durante o período em que trabalha na região, fatos como estes foram presenciados várias vezes.

Não tem jeito, eles roubam trabalhadores, passageiros, quem quer que seja. Não tem horário, porém, à noite sem dúvida é mais perigoso. A noite todo gato é pardo. É ameaça, agressão e assalto. A polícia chega, prende, mas infelizmente a justiça solta”, destaca o mototaxista.

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