A quantidade de peixes pode não ser suficiente para atender ao público de Três Lagoas - no período da quaresma deste ano. As informações são do pescador profissional - Alfredo Alves Cruz - que trabalha nos rios da região, desde menino.
Este é o “Natal” dos pescadores; a época do ano em que o volume de vendas aumenta e gera uma renda extra para as famílias que sobrevivem da pesca.
Os peixes preferidos pelos consumidores são: a Piapara; a Corvina; o Pintado; o Pacu; a Curimba; o Piau Sul e a Tilápia.
Alfredo Alves Cruz, Pescador profissional. (Foto: Arquivo Pessoal)
Em entrevista ao Hojemais, Alfredo contou que a classe está tendo muita dificuldade em pescar este ano; o volume de peixes diminuiu consideravelmente e, para continuar abastecendo o mercado, estão indo para os rios da região e comprando de criadouros.
“A gente tem de se virar. Hoje mesmo eu estou sem estoque algum de peixe” - comentou Alfredo que também se diz receoso em relação à feira do peixe que acontecerá no dia 18 de abril. O pescador teme que não tenha produto disponível para todos os consumidores.
De acordo com o Secretário de Meio Ambiente - Toniel Fernandes - a percepção dos pescadores está correta; a cada ano que passa é possível notar uma diminuição considerável da quantidade de peixes e de espécies nos rios.
Toniel pontua que a demanda pela pesca aumentou de tal maneira que, a natureza - por si só - não é capaz de recompor a espécie. Este fenômeno acontece em diversos locais do país e tem chamado a atenção dos estados. Em Mato Grosso do Sul não foi diferente; o governador Reinaldo Azambuja - através da SEMAGRO (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar) - publicou o decreto 15166/2019 na intenção de proteger a fauna aquática dos nossos rios - assim fomentando também o turismo do pesque e solte.
O decreto conhecido como “Cota 0” diminuiu a quantidade de pesca permitida em 2019 e zerou o volume para 2020. Toniel lembra que este decreto é direcionado à pesca esportiva e turística e que os pescadores profissionais continuam com a cota mensal de 400 kg.
A presença das usinas na região também é questionada pelos pescadores; muitos acreditam que as construções influenciaram na quantidade de peixes nos rios da região.
Em nota, a CTG Brasil informou que mantém um programa de manejo e conservação de Ictiofauna - conjunto de peixes de uma região ou ambiente - e realiza, por ano, a soltura de 2,1 milhões de peixes, todos os anos, desde 2017, nos reservatórios das usinas do Jupiá e Ilha Solteira. O objetivo é repovoar e garantir a diversidade de espécies nativas no rio Paraná e afluentes. Os peixes utilizados nas solturas, de espécies nativas como curimbatá, piapara, piracanjuba, dourado e pacu-guaçu, são produzidos na Estação de Piscicultura da CTG Brasil, em Salto Grande (SP).
A CTG ainda pontua que as Usinas do Jupiá, assim com as demais do país, integram o sistema Interligado Nacional (SIN) e a sua operação é coordenada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), conforme procedimentos da Agência Nacional de Energia Hidrelétrica (Aneel), tanto no que se refere à produção de energia, quanto ao controle do nível dos reservatórios e à abertura das comportas.