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PELO BRASIL - AMOR AOS BRASILEIROS E RESPEITO AO OUTRO

Na terceira semana de março publiquei em meu face um desabafo em relação ao movimento sindical - do qual sempre participei.

Da Redação
29/03/19 às 14h34

Na terceira semana de março publiquei em meu face um desabafo em relação ao movimento sindical - do qual sempre participei. Falei da minha desilusão para com muitos de meus colegas de profissão que, apesar dos nossos alertas, insistem em votar em candidatos contrários aos nossos ideais. Para minha surpresa, na semana seguinte, a jornalista Aurora Villalba ligou-me dizendo que minha postagem viralizou e que queria uma entrevista comigo para melhores explicações. Atendi ao seu pedido. O vídeo foi feito e publicado outro dia. Para minha maior surpresa ainda, recebo outro telefonema seu dizendo que a editora do jornal Hoje + gostaria que eu escrevesse artigos para o impresso, mesmo com meu alerta de minhas posições "esquerdistas". O que topei. 

Sou geógrafo, historiador e bacharel em Direito. Desde meus tempos de colegial procurava acompanhar os acontecimentos políticos e sociais no Brasil e no mundo. Naquela época, no governo Médici, tínhamos uma grande admiração pelo regime militar. Era tempo do "Prá Frente Brasil" - "Ninguém Segura Este País" e do "Ame-o ou Deixe-o". O nacionalismo estava à flor da pele em praticamente todos os brasileiros. Nossa seleção ganhava o tricampeonato e Émerson Fittipaldi surgia como bicampeão de Fórmula 1. Mas, não demorou muito para que tudo isso ruísse. Surgiram os primeiros rumores das torturas e das corrupções: Escândalo da Mandioca; Coroa-Brastel; Delfim; Polocentro e outras denúncias. Era o governo Geisel. O país mergulhava em grande crise social e econômica. O preço do petróleo, que importávamos em grande quantidade, explodiu e o governo continuou com as grandes obras como se nada estivesse acontecendo. Afinal, ninguém podia segurar ‘esse país’! A dívida externa mais que triplicou e tudo entrou em parafuso!

Anos depois... Cai o regime. Entra a democracia. Era a chamada "Nova República" do Sarney - antigo líder do regime militar. Vem o Plano Cruzado e a sua decadência. Entra Collor e cai por denúncias de corrupção. Vem Fernando Henrique; combate a inflação; mas, em seu segundo governo, vem uma grande crise econômica mundial que afeta o Brasil; além de a parte social necessitar de mais ajuda. Vem Lula e Dilma - que dão grande prioridade ao social e tiram milhões de brasileiros da miséria. Mas, vêm as denúncias de corrupção. Dilma é deposta por pedaladas fiscais - que a grande maioria dos governadores e dos prefeitos as fizeram. Entra Temer e com ele as medidas "para criar empregos" como a reforma trabalhista e medidas para "cortar gastos" com a PEC 95 do Senado. Sai Temer, o desemprego aumenta e a crise internacional que aqui chegou em 2014... Continua. 

Bolsonaro é eleito como o "salvador da pátria"! Tudo vai mudar. Não terá mais corrupção! O país vai crescer e o povo estará melhor! Em poucas semanas após sua posse, denúncias de envolvimento de seus filhos, assessores e ministros em corrupções são expostas na mídia. O presidente faz discursos que arrepiam e assustam o mundo. Alia-se de forma incondicional aos EUA, colocando contra nós a China (nosso maior parceiro comercial), a Rússia e a Europa Unida. Alinha-se a Israel e coloca também os países árabes (nossos maiores compradores de frango e carne bovina de segunda) em rota de colisão conosco. "Coxinhas" e "Petralhas" (repudio essas alcunhas) se digladiam. Brasileiros se ofendem. A troca de ideias fica difícil. O presidente entra em choque com o Congresso e este com o Supremo. A raiva e a prepotência estão na ordem do dia. Ideais extremamente conservadores como o machismo, a homofobia, o racismo, a xenofobia e o nacionalismo extremado toma conta da cabeça de muitos brasileiros - como foi com os alemães durante o nazismo. "Morte aos vermelhos"! A democracia corre sério risco!

Mais do que nunca, este país precisa urgente de diálogo por ele; de amor aos brasileiros e de respeito de uns pelos outros. Não é possível sairmos dessa crise moral, política, econômica e social sem diálogo. Temos de baixar as armas. Os radicalismos, neste momento, são mortais! Penso que a ‘Centro Esquerda’ e a ‘Centro Direita’ devem se unir em torno de uma agenda democrática e social para entrarmos no rumo do desenvolvimento socioeconômico. Os extremos têm seu lugar nas democracias; mas, em momentos como este, não podem tomar conta do nosso ideário de país. Bolsonaro representa um desses extremos. Assim, dificilmente conseguirá uma agenda consistente para o nosso país. 

Como brasileiro que sou, sem ser xenófobo, torço pelo equilíbrio, para o bem de todos. 

 *Petrônio Filho

 

 

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