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É preciso, além de perícia, extrema coragem para se tornar um motoboy no Brasil, uma vez que a profissão é de altíssimo risco.
Em Três Lagoas, segundo Mateus Araújo Ferreira de Souza, 33 anos, o número de pessoas que buscam pela profissão é crescente.
O motoboy - que completou 10 anos de profissão - conta que seu pai e seu irmão também trabalham com entregas rápidas e a paixão pela motocicleta vem de família. Mateus conta que a profissão é sacrificante; a rotina é árdua e não tem folgas. O motoboy disse que trabalha de segunda a segunda, dia e noite.
Mateus informou ao Hojemais que ele integra o Grupo denominado “Somos todos Motoboys” que, atualmente, conta com 73 trabalhadores - 66% dos entregadores que atuam em Três Lagoas.
A profissão tem ganhado força; principalmente, a partir da regulamentação da categoria. Mas, ainda não alcançou o reconhecimento merecido. Mateus conta que o número de profissionais que atuam com entregas rápidas tem crescido e atribui este aumento à falta de emprego no município o que leva os pais de família a procurarem opções de renda.
Em compensação, o salário pode ser bom - acima da média para profissionais com pouca formação. Como se pode imaginar, esse é um dos fatores principais na escolha dessa carreira.
Em Três Lagoas, um motoboy com registro em carteira de trabalho pode ter um salário de R$ 1.400 reais, bem como, um adicional por entrega realizada. Já os que atuam como ‘freelance’ - profissionais que trabalham por conta própria - recebem diária que gira em torno de R$ 30 a R$ 40 reais, por período.
Uma das características do serviço de motoboy é que realiza uma entrega rápida. Essa expectativa, muitas vezes, pode levar o profissional a adotar posturas perigosas no trânsito.
Neste sentido, destaca que os integrantes do “Somos todos motoboys” sabem que a profissão é perigosa e que devem seguir e respeitar às normas previstas no Código de Brasileiro de Trânsito, bem como, devem adotar conduta responsável quando estiveram pilotando pelas ruas do município.
Fora o risco iminente de morte, de a maioria destes trabalhadores no município não contar com vínculo empregatício existe, segundo Mateus Araújo, muita falta de informação sobre o trabalho que desenvolvem, a importância da prestação de serviço junto à sociedade três-lagoense e até comentários preconceituosos.
“Todas as profissões têm bons e maus profissionais. O ‘Somos todos motoboys’ existe há vários anos na cidade; inclusive, realiza ações beneficentes voltadas para a infância. O grupo exige de seus motoboys que tenham sempre em mente que suas respectivas vidas estão sempre em risco e primam - de igual forma - pela segurança dos demais condutores de veículos, ciclistas e pedestres que circulam pelas vias da cidade”.
O que diz a autoridade de Trânsito
O capitão Yuri de Souza, comandante interino da Polícia Militar em Três Lagoas diz que, apesar dos motoboy ou motoentregadores correrem mais riscos de se envolver em acidentes graves, as estatísticas revelam que eles não figuram como a maioria no que tange aos registros de acidentes de trânsito na cidade.
O comandante fez questão de informar, com exclusividade ao Hojemais que, apesar destes dados, inúmeras denúncias estão sendo feitas pela população informando que alguns destes profissionais estariam pilotando em alta velocidade, fazendo manobras proibidas e colocando suas respectivas vidas e de outros moradores do município em risco.
Neste sentido, comunicou que será realizada, no município, diversas operações pela Polícia Militar - através do Setor de Trânsito - visando abordagem preventiva, específica para os motoboys, a partir do mês de fevereiro.
“A nossa intenção é realizar um trabalho preventivo e de orientação no que se refere à documentação das motocicletas e à conduta que os motoboys devem ter quando estão trabalhando nas ruas”.
O que diz a Lei
O Conselho Nacional de Trânsito – CONTRAN - regulamentou a profissão no país em julho de 2009 através da Lei nº 12.009.
De acordo com Artigo 16 os Municípios devem regulamentar a prestação de serviços com legislação própria estabelecendo normas complementares, conforme as peculiaridades locais, garantindo condições técnicas e requisitos de segurança, higiene e conforto dos usuários dos serviços, na forma do disposto no art. 107 do CTB.
Em de Três Lagoas, até o momento, não há uma regulamentação específica. Esses profissionais estão submetidos ao exposto no Código Brasileiro de Trânsito (CBT) e Resolução 356 do Contran.