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Semana da Mulher: O caminho de uma mulher no meio acadêmico e na política

Apesar da forte presença no setor acadêmico, mulheres ainda sofrem com o machismo e a desigualdade

Camila Nogueira - Hojemais Três Lagoas
08/03/23 às 13h49
Foto: Kaelly Virgínia em atividade na UFMS (Arquivo pessoal).

Os meios acadêmicos e científicos são alguns dos que contam com presença marcante das mulheres. Um relatório feito pelo British Council, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura em 2022, revelou que as mulheres representam 46% do total de pesquisadores da área acadêmica na América Latina e Caribe.

Mesmo assim, meninas e mulheres ainda enfrentam uma série de desigualdades no que diz respeito ao acesso a temas científicos, além de sofrerem preconceito. Nesse mesmo relatório, quando considerados apenas os estudos em STEM, sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática, a desigualdade aumenta. 

Diante desse cenário, o Hojemais conversou com Kaelly Virginia de Oliveira Saraiva, uma mulher que conhece muito bem todas as dificuldades que a área acadêmica pode oferecer. Kaelly é enfermeira, professora universitária , nas áreas de saúde da mulher e saúde mental nos cursos de Medicina, Enfermagem e na Pós Graduação de Residência de enfermagem obstétrica e diz que, nos 20 anos em que esteve inserida nesse meio já viveu diversas situações de machismo e preconceito.

Foto: Kaelly Virgínia (Arquivo pessoal).

Para a professora, a presença da mulher é essencial no meio acadêmico. “É importante para garantir os direitos à igualdade de gênero, à educação cidadã e igualitária para mulheres tanto quanto para os homens, e para que nós mulheres possamos ser o que quisermos ser, tendo o direito a seguir uma carreira acadêmica”, revelou.

Kaelly ainda acumula outras funções de liderança, nas quais muitas vezes surgem situações de desigualdade e machismo. Atualmente a enfermeira também é Diretora da seção sindical da ADUFMS (Sindicato dos Docentes da UFMS), é membro fundadora do Fórum Permanente de Direitos Humanos de Três Lagoas e Presidente do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) em Três Lagoas.

Segundo ela, a política reflete as desigualdades da vida cotidiana. “Nós mulheres enfrentamos também, dentro dos sindicatos e partidos, embora de forma mais velada, a tentativa de controle que os homens querem exercer sobre nós. Quando uma mulher desponta como líder, se for forte e independente, geralmente é taxada de arrogante, enquanto que se fosse um homem seria qualificada como corajoso. Esse é um exemplo apenas, mas no geral no ambiente político e sindical enfrentamos os homens tentando controlar as mulheres de diversas formas”, contou.

Foto: Arquivo pessoal.

Mas para a professora universitária, o futuro pode ser um cenário de esperança. “Um futuro com salários iguais aos dos homens e mais altos; mais mulheres em cargos de chefia e administrativos, e maior número de creches e escolas em tempo integral, disponibilidade de meios de transporte e horários flexíveis para a ida e volta dos filhos, pois o trabalho feminino está diretamente relacionado com a retaguarda para os filhos” revelou.

E para finalizar, Kaelly ainda deixou uma mensagem. “Minha mensagem é uma frase da escritora Virgínia Woolf: ‘O que é uma mulher? Eu não sei. Só poderei saber quando as mulheres estiverem presentes em todas as atividades que os homens estão, podendo fazer tudo que os homens fazem, de forma plena. Então eu saberei o que é ser uma mulher”.

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