Toda mulher quer mudar de aparência, seja um batom ou o cabelo. Mas, às vezes, técnicas complicadas ou desconhecimento as desestimulam. Daí nascem as Laces Wigs, conhecida como “perucas realistas”, um acessório que veio e para ficar trazendo facilidade, liberdade e beleza as mulheres.
Jaqueline Azevedo, 32 anos, dá uma lição de empoderamento feminino e liberdade capilar com as perucas. A três-lagoense coleciona 14 laces e pretende aumentar o estoque. “Às vezes tem um evento interessante e eu penso preciso de uma peruca para isso porque eu tenho que lacrar”, pontua.
Há três anos ela iniciou uma transição capilar, e fez um big chop - corte que tira toda a química do cabelo de uma só vez –. Através de uma amiga que também passou pela transição ela conheceu as famosas front-laces. “Uma colega me empoderou, ela deixou os cachos dela voltarem, então decidi deixar os meus voltarem também. Conheci uma menina que usava perucas em Três Lagoas, achei interessante e decidi pesquisar sobre o assunto”, relembra.
Jaqueline recorda a adaptação com a primeira peruca, ela afirma ter sido um momento estranho e que amigos, familiares e colegas de trabalho ficaram surpresos. “A primeira vez que usei peruca, parecia que todos estavam me olhando, mas aos poucos percebi que esse mundo da peruca, era o meu mundo. Perguntavam porque eu usava peruca, que meu cabelo era lindo e porque eu estava usando aquele tipo de cabelo. Eu sempre tenho a resposta na ponta da língua, perucas são apenas acessórios como brinco e batom”, diz.
Jaque convive bem com os elogios e críticas acerca do seu estilo de vida, o importante para ela é se sentir bem, independente da cabeleira. “Todo mundo fica na espera 'Que peruca será que a Jaque vai usar hoje?' E eu recebo muitos elogios, inclusive o ultimo elogio que eu recebi a respeito das perucas foi de uma moça que disse 'as perucas vestem você' e eu fiquei toda lisonjeada”, afirma.
“Mas eu também já escutei muita crítica, muito comentário inapropriado. Quero deixar bem claro que eu amo meu cabelo, cada pessoa deve usar da forma que se sente bem. O importante é se olhar no espelho e amar o que você vê, seja com peruca, com mega, ou com turbante e até mesmo careca, porque quando se tem amor próprio a figura feminina se torna um mulherão em evidência”, completa.
Se hoje o resgate da identidade negra, a partir da afirmação estética, tem começado a ganhar amplitude, anos atrás quem desejava adquirir acessórios como as perucas, não tinha o mesmo volume de informações que é possível encontrar atualmente. “Compro as perucas por páginas no facebook, como a Liquida Laces Brasil, Nani Lopes, Carla Leão e diversas vendedoras do brasil inteiro. O uso de perucas no Brasil está muito aflorado, apesar disso existe muito preconceito”, conta.
A três-lagoense destaca a pressão da sociedade em cima dos padrões de beleza sobre as mulheres, para ela a liberdade é fazer o que gosta e como gosta, sem deixar espaço para o preconceito.
“Se nós formos andar somente de acordo com o que a sociedade quer, não vamos nos agradar e fazer o que é nosso gosto. Então se você quer cabelo curto, mexas, não importa o jeito, mas que seja sempre por você. O importante é nos sentirmos bonitas, somos livres para sermos como nos agrada. "Meu cabelo minhas regras, teu cabelo tuas regras”, finaliza.