Pai, filho, amigo, cantor e dono de um sorriso que encantava e tinha o poder de transformar o dia daqueles que tinham o privilégio de conviver com Jorge Edson dos Santos Ferreira, popularmente conhecido como “Pele Negra”.
Jorginho, como era carinhosamente chamado por seus familiares, estava no lugar errado e na hora errada quando no auge de seus 27 anos, foi atingido por uma bala perdida, deixou esta vida e muitas saudades no coração daqueles que ficaram.
Um ano após sua morte prematura, a sensação para aqueles que conviviam com o Jorginho é de que ele irá retornar a qualquer momento, gargalhar de uma forma contagiante e voltar a trazer alegria para a família e os amigos.
Pele Negra com os primos. Foto: Alba Lessandra
Alba Lessandra relembra a passagem de seu primo na terra. Ela conta que a dor de perder um ente querido é inestimável e nada no mundo é capaz de preencher a lacuna que se abre em seu coração e a única coisa que se pode fazer é se apegar às lembranças boas, aos momentos bons e de alegria.
Alba conta que alegria é um adjetivo que poderia definir bem o seu primo, uma pessoa querida que sempre chegava com um sorriso largo no rosto, sempre com uma boa energia, uma pessoa muito querida até hoje e que todos os momentos que puderam ser divididos com o “Pele Negra” realmente valeram a pena.
Jorginho era muito querido e até hoje sua página nas redes sociais é visitada por amigos e familiares que utilizam o espaço, para de alguma forma, expressar todo o carinho e saudades que ficou em seu lugar.
Reneé Venâncio e Pele Negra. Foto: Arquivo Pessoal
Pele Negra na música
Jorginho, tinha o objetivo de viver da música e conseguiu realizar seu sonho durante sua breve trajetória na terra.
Reneé Venâncio conta que conheceu Jorginho quando ele ainda era uma criança e desde cedo criaram um vínculo muito especial, não apenas de dois amigos e parceiros de música, era uma junção de pai e filho.
Ainda na adolescência Jorginho começou a animar as festas da família cantando e tocando. Era um talento em descobrimento, ele tinha um toque diferenciado, um jeito peculiar de cantar.
Reneé conta que Jorge Edson era o mais novo da turma de amigos que constantemente se reuniam para fazer música e em meio a uma conversa ele pensou que havia chego a hora de Jorginho cantar para um público maior e para isso, precisava de um nome que combinasse com a fúria do som que ele expressava.
“A ficha não caiu até hoje, as vezes eu sinto que a qualquer momento o “Pele Negra” vai me ligar ou vir buscar o nosso violão que está na minha casa até hoje” Reneé Venâncio
Pele negra e Cilleid Heredia. Foto: Arquivo Pessoal
O nome Pele Negra foi criado em meados dos anos 2000 e foi idealizado por Reneé Venâncio em parceria com Marlan Dutra e Leonardo Delamari e a primeira apresentação com nome artístico aconteceu em uma festa universitária chamada Tequireitos e daí para frente iniciou a trajetória de sucesso do agora “Pele Negra”.
Jorginho, junto com Reneé Venancio e Guadalupe Chacon fundaram o projeto MPT (Música Popular Três-Lagoense) e em suas reuniões juntavam poesia e melodia.
Algumas das canções compostas pelo grupo foram interpretadas pela jornalista e cantora Cilleid Heredia, que emocionada também lembra de sua convivência com Jorginho, um menino alegre que sempre de bem com a vida e contagiando quem estava ao seu redor.
“Sempre estava com seu violão, tentando achar a nota certa para a batida perfeita. O Pele era a alegria em pessoa. ” – Cilleid Heredia.