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1 ano sem Halley; a mulher que teve os seus sonhos interrompidos

 A mulher que teve os sonhos interrompidos por um homem que não aceitava o fim do relacionamento

Albecyr Pedro - Hojemais Três Lagoas
15/01/19 às 03h52
Halley Coimbra foi assassinada pelo ex-marido em janeiro de 2018. Ele não aceitava o fim do relacionamento (Foto: Reprodução/Facebook
Renato Ottoni Bastos e Halley Coimbra (Foto: Reprodução Facebook)

Há um ano era assassinada em Três Lagoas, Halley Coimbra Ribeiro Junqueira, de 38 anos.

Em 14 de janeiro de 2018, a imprensa divulgava na tarde daquele fatídico domingo, o primeiro feminicídio do ano.

O caso abalou os três-lagoenses e repercutiu em portais de notícias por todo o Brasil, inclusive em programas policiais na televisão, como o Balanço Geral da Rede Record.

O assassino, Renato Ottoni Bastos, de 62 anos, ex-gerente geral de uma fábrica de celulose localizada em Três Lagoas e que não aceitava o fim do relacionamento com a mãe de suas duas filhas pequenas, uma de três e cinco anos de idade. O casal estava separado desde setembro de 2017.

O crime aconteceu por volta das 18h, dentro da casa da ex-mulher no bairro Santa Júlia. Ottoni discutia com Halley na cozinha do imóvel, e acabou efetuando três disparos de revólver calibre 38 milímetros que acertaram as suas costas e a cabeça.

As crianças e também a enteada de Ottoni, de 15 anos, viram a cena da mãe caída na cozinha. Segundo depoimento dela à polícia na época, estava no quarto, quando ouviu dois disparos e a mãe clamando “pelo amor de Deus” para Ottoni não atirar, e em seguida, o último disparo e o barulho do interfone no portão. Era Ottoni fugindo da cena do crime, conforme revelou a adolescente.

Neste momento, ainda segundo o relato da enteada, ela contou que saiu do quarto e correu em direção à cozinha, onde acabou encontrando a mãe caída e com o corpo todo ensanguentado ao chão.

Uma mistura de comoção e revolta por parte de familiares e amigos marcaram o sepultamento de Halley na manhã do dia seguinte.

Todos puderam se despedir da mulher que deixava três filhas órfãs em virtude da tragédia que abalou toda a cidade em 2018.

Sepultamento de Halley ocorreu sob forte comoção na manhã do dia 15 de Janeiro de 2018 (Foto: Aurora Villalba- arquivo)

A PROCURA

Após o crime iniciou uma caçada implacável ao assassino através do trabalho de cooperação de todas as policias dos Estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Segundo a Delegada Titular da Delegacia de Atendimento à Mulher, Letícia Móbis, a polícia na época rastreou o aparelho de celular de Ottoni e chegou a solicitar a justiça o bloqueio das contas e cartões bancários de Ottoni.

Corpo de Ottoni foi encontrado na região do Iate Clube Urubupungá em Castilho dois dias depois do crime (Foto: Albecyr Pedro)
O corpo do executivo foi encontrado dentro do veículo. O laudo apontou que ele atirou contra o próprio peito (Foto: Albecyr Pedro)

ENCONTRADO

Considerado como foragido, e com pedido de prisão decretada, o executivo foi encontrado morto, dois dias depois, na tarde de 16 de janeiro, dentro do seu carro, um Cruze Cinza, em avançado estado de decomposição e com a mesma arma utilizada no crime em seu colo, o revólver 38.

O corpo foi localizado por pessoas que passavam por uma estrada de terra no bairro Iate Clube Urubupungá em Castilho-SP e avisaram a polícia.

O laudo necroscópico elaborado pelo IML (Instituto Médico Legal) de Andradina-SP apontou em junho de 2018, que o executivo cometeu suicídio com um tiro no peito.

Através deste laudo, a delegada titular da Delegacia de Atendimento à Mulher Letícia Mobis encerrou o inquérito que apurava o assassinato de Halley e pediu o arquivamento do processo ao Ministério Público, por não haver qualquer indício que o assassinato de Halley tenha sido cometido por outra pessoa.

A delegada explicou na época que não existia mais possibilidade de punir o autor do crime.

APÓS 1 ANO

Segundo apurou o Hojemais, as crianças e a adolescente atualmente moram com a avó materna, Délia Coimbra. Logo após a tragédia, as crianças passaram por acompanhamento psicológico, segundo a Secretaria de Assistência Social de Três Lagoas.

A psicóloga Creuza Mantovani contou a reportagem na época, que as terapias foram essenciais para as crianças, principalmente nestes eventos traumáticos, que passaram. 

“Certamente essas crianças passaram por uma situação inusitada, um trauma grave que não tinham como previsão em suas vidas, e isso causou uma série de dificuldade e de problemas emocionais sérios”, disse na ocasião.

Segundo a psicóloga, a filha adolescente de Halley passou por uma carga emocional mais intensa e necessitou de um trabalho mais delicado. No caso das meninas pequenas, ela avaliou onde e como foram atingidas.

“A perda dos pais trouxe o risco de desencadear problemas psicológicos graves, afirma a psicóloga, que além do tratamento existem vários fatores que também podem influenciar o fortalecimento de um ‘Eu’ mais seguro e saudável, um deles é o carinho e a atenção da família na fase posterior ao evento traumático.

“As filhas perderam tudo de uma vez só. Não sei como a família está reagindo em torno delas, porque as pessoas próximas a elas também foram atingidas, precisamos saber que tipo de sentimento elas estão transmitindo para essas crianças" destacou a psicóloga e que ainda completou: "O contato com aqueles que guardam sentimentos de amor é fundamental para a recuperação do trauma".

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Foto/Reprodução/Facebook/Halley Coimbra Ribeiro Junqueira
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