A concessão de medidas protetivas de urgência teve um aumento expressivo em Três Lagoas nos últimos dias. Os números foram publicados no Diário Oficial da Justiça.
Apesar deste aumento, a quantidade de boletins de ocorrência por violência doméstica diminuiu no ano de 2020 em comparação com 2019. O que não significa que este tipo de crime parou de acontecer.
Segundo Letícia Mobis Alves, durante a pandemia e com o possibilidade de deslocamento reduzido, as mulheres foram impedidas de sair de casa para registrar as agressões. Mas a realidade é bem diferente.
“Quando falamos em violência doméstica, temos sempre uma cifra oculta, porque, quando a mulher denuncia, ela já trás um histórico de agressão que havia sofrido até aquele momento. Dificilmente ela procura a delegacia logo depois da primeira agressão.”
O surgimento de um número maior no pedido de medidas protetivas não está relacionado à quantidade de boletins de ocorrência porque nem toda mulher que vai até a delegacia posteriormente recorre à justiça para obter medida protetiva, explica Letícia
Ela diz ainda que, durante a pandemia a justiça criou canais alternativos para que as mulheres buscassem ajuda sem passar pela delegacia. “Como elas passaram a ter mais acesso a este tipo de informação, a quantidade de medidas protetivas aumentou. ”
BUSQUE AJUDA
Letícia salienta que é preciso ficar atenta aos primeiros sinais de violência dentro de uma relação. “Se o parceiro é muito controlador, ciumento, se pede para que a esposa se afaste de amizades, faz proibições ameaças e xingamentos. Nestes casos a chance disso evoluir para violência física ou então um caso de feminicídio, é muito grande.
A delegada pede ainda que as mulheres não voltem atrás depois de registrar um boletim de ocorrência. “É preciso levar adiante para que esta pessoa seja efetivamente julgada e possa responder pelo crime que cometeu.”
