Um conflito ocorrido na madrugada de domingo (16), na Terra Indígena Iguatemipeguá I, localizada em Iguatemi, sul de Mato Grosso do Sul, resultou na morte do indígena Guarani-Kaiowá Vicente Fernandes Vilhalva.
Segundo a Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Estado (Sejusp), um trabalhador rural também morreu durante o confronto. O episódio levou o governo federal a convocar uma reunião de emergência para tratar da escalada de violência na região.
De acordo com relatos de lideranças indígenas e organizações que acompanham a situação, um grupo armado teria atacado a retomada Pyelito Kue por volta das 4h.
Vicente Vilhalva foi atingido na cabeça e morreu no local. Outros indígenas ficaram feridos.
A Sejusp informou que um suspeito indígena foi detido e encaminhado à Polícia Federal.
A área em disputa corresponde a aproximadamente 41,5 mil hectares delimitados em 2013 como Terra Indígena Iguatemipeguá I. Parte do território é alvo de litígios envolvendo retomadas Guarani-Kaiowá e propriedades rurais instaladas na região. A tensão fundiária é antiga e já motivou diferentes intervenções de órgãos federais.
O Ministério dos Povos Indígenas manifestou pesar pela morte do indígena e informou que equipes da Funai, da Sesai e do Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Fundiários foram acionadas.
Diante da gravidade do caso, foi convocada uma reunião extraordinária do gabinete federal dedicado à crise envolvendo os Guarani-Kaiowá, com participação da Funai, Polícia Federal, Força Nacional e governo estadual.
Organizações que atuam no monitoramento das disputas fundiárias afirmam que a violência na região tem se intensificado, especialmente em áreas de retomada. A morte de Vicente Vilhalva reacende o alerta sobre a necessidade de avançar em medidas de proteção, mediação e garantia de segurança às comunidades indígenas.
A investigação sobre o caso está em andamento e novas ações devem ser definidas após a reunião federal.
