A Justiça de Goiás decretou nesta sexta-feira (14) a prisão preventiva do médium João de Deus, acusado de abusar sexualmente de mais de 300 mulheres em Abadiânia (GO).
A informação foi divulgada pela TV Anhanguera com o Secretário de Segurança Pública do estado de Goiás, Irapuan Costa Júnior.
O médium é investido por uma força-tarefa do Ministério Público e a Justiça de Goiás. Para o Ministério Público, a semelhança nos depoimentos reforça as suspeitas.
Até o momento, foram recebidas 330 denúncias em 11 Estados — 18 em São Paulo, já enviadas em vídeo para Goiás. O pedido de prisão foi protocolado pelos procuradores no Fórum de Abadiânia, na quarta-feira (12).
Para o MP, em liberdade, haveria o risco de João de Deus coagir testemunhas e fazer mais vítimas.
Há denúncias relativas a supostos abusos ocorridos desde 1980 até outubro deste ano. Em um desses, uma mulher disse ter procurado a casa depois de passar por tratamento de câncer de mama.
Lá, se submeteu a uma cirurgia espiritual e foi orientada a voltar. No encontro, recebeu um pedido de João Deus. “O que eu fizer aqui dentro, você não vai falar para ninguém”, disse a ela.
“Você levante que eu vou te curar. E você vai ter de se entregar. Aí ele pediu para eu ficar de costas e nisso ele começou a passar a mão no meu corpo. Eu comecei a chorar e ficar desesperada. Se eu gritar, pensei, tem milhares de pessoas aí fora que endeusam ele, chamam de João de Deus”, acrescentou.
Ela só se sentiu encorajada a denunciar nesta semana. Como foi o caso de outra vítima, que diz ter sido abusada por João de Deus quando estava grávida, há 12 anos. “Na hora você não tem força, você não tem autoridade diante de uma pessoa enviada com uma missão divina.”