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MS é apontado como principal rota de tráfico de drogas e armas no país

Relatório do Ipea e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública destaca papel estratégico do Estado no tráfico internacional; Três Lagoas apresenta taxa de homicídios abaixo da média nacional.

Da Redação
08/11/25 às 19h26
Imagem: Arquivo

O Atlas da Violência 2025 aponta Mato Grosso do Sul como o principal entreposto logístico de drogas e armas do Brasil. O estudo, elaborado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), mostra que o território sul-mato-grossense é uma rota essencial do tráfico internacional, responsável por cerca de 80% da cocaína e da maconha que entram no país.

Intitulado “Retratos dos municípios brasileiros e dinâmica regional do crime organizado” , o levantamento evidencia que a proximidade com a Bolívia e o Paraguai, aliada à extensa malha rodoviária e à baixa densidade populacional, torna o Estado uma área estratégica para o escoamento de drogas e armas. O relatório foi divulgado nesta sexta-feira (7) pelo Ipea.

Apesar desse cenário, Mato Grosso do Sul registrou, em 2023, índices de homicídios inferiores à média nacional e regional. Foram 21,3 mortes por 100 mil habitantes, enquanto a média nacional foi de 23 e a da região Centro-Oeste superou esse número, puxada pelo Mato Grosso, que apresentou taxa de 31,8.

Além da posição geográfica favorável ao tráfico, o estudo também associa a violência no Estado aos conflitos envolvendo populações indígenas e produtores rurais, principalmente em Amambai, território Kaiowá e Guarani, palco de episódios marcados por confrontos.

Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, todos registraram taxas de homicídios menores que a média nacional: Três Lagoas teve 21,6; Campo Grande, 21,1; e Dourados, 16,0. Já nas cidades fronteiriças, como Corumbá e Ponta Porã, a vulnerabilidade à violência transnacional é mais evidente. Ponta Porã, que faz divisa direta com Pedro Juan Caballero (Paraguai), apresentou taxa de 24,9 homicídios por 100 mil habitantes, enquanto Corumbá registrou 23.

Outro ponto destacado pelo Atlas é a presença consolidada de facções criminosas no Estado. O relatório aponta que 10 das 12 principais facções brasileiras têm núcleos ativos em Mato Grosso do Sul, o que o transforma em um “hub” para o crime organizado nacional. No entanto, diferentemente de estados como Bahia e Pernambuco, onde há disputas violentas, em Mato Grosso do Sul os conflitos têm baixa intensidade letal.

Segundo os pesquisadores, a hegemonia do PCC (Primeiro Comando da Capital) sobre as rotas que conectam a Bolívia ao Brasil contribui para esse cenário de “coabitação criminal de baixa intensidade”, uma vez que a facção busca evitar confrontos diretos que prejudiquem o fluxo do narcotráfico.

No contexto regional, o Estado apresenta a segunda menor taxa de homicídios do Centro-Oeste, ficando atrás apenas do Distrito Federal (11,6) e à frente de Goiás (21,8) e Mato Grosso (31,8). Nacionalmente, Mato Grosso do Sul está entre as sete unidades da federação com menores índices de homicídios.

 

O Atlas destaca que a combinação de ações policiais integradas, políticas de segurança estáveis e a própria dinâmica do crime organizado — que prioriza o controle territorial sem confrontos abertos — tem contribuído para manter os índices de violência sob controle no Estado.

*Com informações do CampoGrandeNews

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