A luta contra a criminalidade ganhou um aliado tecnológico de peso em Três Lagoas e em toda a Costa Leste de Mato Grosso do Sul. Com a aquisição de equipamentos de ponta pelo Governo do Estado, a Unidade Regional de Perícia e Identificação (URPI) de Três Lagoas passa a coletar e cadastrar os padrões balísticos de armas de fogo diretamente no município, acelerando a identificação de conexões entre homicídios, assaltos e outros crimes violentos.
Ao todo, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) investiu R$ 720 mil na compra de seis câmaras de recuperação de projéteis para a Polícia Científica de Mato Grosso do Sul (PCi-MS). Os recursos, oriundos do Fundo Estadual de Segurança Pública (Fesp), contemplam, além de Três Lagoas, as unidades regionais de Amambai, Bataguassu, Ponta Porã, Coxim e Fátima do Sul — cobrindo um universo de 28 municípios.
REFORÇO NA PERÍCIA DE TRÊS LAGOAS
Antes da chegada da nova câara de testes à URPI de Três Lagoas, os peritos criminais locais precisavam encaminhar as armas apreendidas pela Polícia Civil, Polícia Militar ou Polícia Rodoviária Federal na região até Campo Grande, exclusivamente para a coleta dos projéteis de teste.
Com a inovação, todo o procedimento de disparo controlado e extração das marcas da arma é realizado na própria unidade três-lagoense. A mudança elimina gargalos logísticos, agiliza a emissão de laudos periciais e encurta o tempo de resposta às investigações conduzidas pelas delegacias da cidade e dos municípios vizinhos.
Os dados balísticos coletado em Três Lagoas passarão a integrar diretamente o Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab) e o Banco Nacional de Perfis Balísticos (BNPB). Em Mato Grosso do Sul, a ferramenta já demonstra resultados expressivos: entre novembro de 2025 e novembro de 2026, as confirmações de ligações entre crimes (chamadas no meio pericial de hits) saltaram de 108 para 179 — um crescimento de aproximadamente 66%., destaca a diretora.
Assim como o exame de DNA identifica a autoria humana por meio de vestígios biológicos, a balística forense utiliza o confronto de marcas microscópicas deixadas pelo percutor, pelo extrator e pelo raiamento do cano da arma no estojo e no projétil de munição.
Dentro da câmara de recuperação instalada em Três Lagoas, o perito realiza um disparo controlado. O projétil é recolhido perfeitamente preservado, e suas ranhuras são digitalizadas e comparadas pelo sistema inteligente do Sinab com vestígios recolhidos em cenas de crimes em MS e em todo o Brasil.
Na prática, uma arma apreendida em um porte ilegal no trânsito de Três Lagoas, por exemplo, poderá ser vinculada automaticamente a um assalto ocorrido meses antes na região ou até a um homicídio registrado em outro estado, municiando os delegados com provas materiais incontestáveis para esclarecer os fatos.
