A realização de uma sessão espiritual envolvendo uma adolescente de 12 anos virou caso de polícia na tarde de quinta-feira (23), em Araçatuba (SP). A menina teve a cabeça raspada e o caso foi registrado como lesão corporal.
Policiais militares foram até o local onde o evento era realizado, após denúncia pelo telefone 190 sobre maus-tratos e possível abuso sexual.
No local indicado os policiais foram recebidos por uma mulher que seria responsável pelo imóvel e a adolescente. Uma policial entrevistou a menina, que relatou estar em tratamento espiritual, negando estar sofrendo maus-tratos.
A mesma versão foi apresentada pela mulher, que argumentou que por estar em tratamento espiritual, a adolescente precisava ser mantida em confinamento, também negando a prática de maus-tratos.
Mãe
Durante atendimento à ocorrência, a mãe da menina, uma manicure de 41 anos, esteve no local e afirmou que tinha total conhecimento do tratamento espiritual, também declarando não haver maus-tratos.
Os policiais que atenderam a ocorrência relataram que aparentemente a adolescente estava tranquila, não apresentava nenhum hematoma ou lesão, mas estava com os cabelos raspados.
Ela vestia roupas brancas, que remetem à religião à qual passava pelo tratamento espiritual e contou que teve a cabeça raspada no local.
Investigação
A Polícia Civil foi comunicada e determinou a realização de perícia no imóvel para levantamento do local onde ocorrem as sessões espirituais.
Também foi determinado que a adolescente passasse por exame de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal), devido ao corte do cabelo. O médico legista responsável pelo exame entendeu que o ato configurou uma forma de lesão corporal.
Apesar disso, a mãe da menina, que esteve na delegacia, relatou não ter interesse em representar criminalmente contra a responsável pela sessão espiritual à qual a filha dela fora submetida.