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Levantamento indica que 90% das prefeituras pagam o 13% salário

O levantamento revela que apenas 10 prefeituras ainda dependem de fluxo de caixa este mês para poder honrar com o compromisso no fim do ano

Conjuntura Online
10/12/15 às 21h08
Presidente da Assomasul, Juvenal Neto

Levantamento feito pela Assomasul (Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul) indica que 69 das 79 prefeituras do Estado vão pagar integralmente em dezembro o décimo terceiro salário dos servidores públicos municipais, o que representa 90% do total.

Fechado esta semana pela assessoria técnica da entidade, o levantamento revela que apenas 10 prefeituras ainda dependem de fluxo de caixa este mês para poder honrar com o benefício da categoria até o fim do ano.

Isso não significa, no entanto, que essas prefeituras vão deixar de pagar o 13º dos servidores. Boa parte dos prefeitos desses municípios assegurou que o benefício será pago até o fechamento do ano.

Como em todo país, a maioria dos municípios está em dificuldade financeira devido a uma séria de fatores decorrentes da política econômica do governo da presidente Dilma Rousseff.

As prefeituras que ainda estão em busca de recursos para quitar a folha no fim do ano são Aquidauana, Brasilândia, Camapuã, Campo Grande, Guia Lopes da Laguna, Jardim, Jateí, Miranda, Mundo Novo e Tacuru.  

Segundo o presidente da entidade, prefeito de Nova Alvorada do Sul, Juvenal Neto (PSDB), muitas prefeituras estão convivendo em situação de penúria devido à crise financeira do país, agravada com as denúncias de corrupção na Petrobras e devido as constantes quedas no repasse do FPM (Fundo de Participação dos Municípios).

A queda da receita do FPM é provocada pelas isenções concedidas pelo governo federal à indústria automotiva e outros setores da área econômica, além da falta de cumprimento dos repasses destinados à manutenção dos programas sociais.

“Ocorre que o governo criou uma série de programas, mas não indicou a fonte de recursos, forçando os prefeitos a cumprirem contrapartidas pesadas dentro da obrigatoriedade dos convênios firmados”, relata Neto, cujo município está entre os 69 em condições de pagar o 13º salário dos servidores este mês.

Neto argumenta que muitas vezes setores da imprensa e até a população crucificam o gestor público por falta de investimento em infraestrutura e outros serviços, sem saber que as prefeituras trabalham em cima do orçamento.

“Além de honrar com as obrigações constitucionais, que é investir na Educação e na Saúde, a prefeitura é obrigada a arcar com despesas do governo federal, como nos casos dos programas sociais, sob o risco do prefeito ser penalizado com ação de improbidade administrativa se não cumprir o convênio.

De acordo com o dirigente, hoje os municípios investem 60% na saúde e na educação, o que representa um dinheiro que deixa de ser aplicado em obras e em outros investimentos.

Outro grande problema, segundo ele, é com relação aos convênios com o governo federal para construção de obras. “Ou seja, muitas delas são licitadas, mas o dinheiro não chega na prefeitura, deixando os prefeitos com a imagem aranhada perante a população que cobra os investimentos”. 

 

O próprio presidente da CNM (Confederação Nacional de Municípios), Paulo Ziulkoski, avalia que os municípios encerrarão o ano de forma caótica.

De acordo com o líder municipalista, se 2015 foi um ruim, 2016 será ainda mais difícil.

Ele lembrou que o próximo ano é de disputa municipal e que, diante da dificuldade em acertar receitas e despesas, a tendência é que aumente o número de prefeitos com contas rejeitadas e impossibilidade de se reeleger.

REPASSE EXTRA

 As prefeituras de Mato Grosso do Sul recebem nesta quarta-feira (9) R$ 52,023 milhões referente a transferência de 1% do FPM (Fundo de Participação dos Municípios).

O repasse de recursos extras deve ajudar alguns gestores a pagar o 13º  salário dos servidores.

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