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Sem dinheiro de empresas candidatos a prefeito devem fazer a campanha mais pobre da história

Em 2012 candidatos a prefeito viabilizaram R$ 800.627,36 junto a empresas. 

Hojemais - João Maria Vicente
11/01/16 às 21h32
(Gerson Henrique)

Os gastos com as campanhas majoritárias nas últimas eleições, em 2012, foram de R$ 879.002.54 em Três Lagoas. Deste total, R$ 800.627,36, mais de 90%, foram viabilizados pelos candidatos a prefeito junto a empresas. Depois que o STF (Supremo Tribunal Federal) considerou ilegal esse tipo de doação, o que se desenha para as eleições deste é uma campanha pobre, provavelmente a mais minguada da história.

Conforme prestação contas dos três candidatos a prefeito referente a 2012 constantes do site do TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral), a campanha mais cara foi da prefeita Márcia Moura (PMDB), que recebeu R$ 782.029,79 em doações. Deste montante, R$ 720 foram viabilizados junto a empresas. A maior doadora foi a Emplal, com R$ 400 mil. A Brascoper e a Pactual doarem R$ 100 mil cada uma e a Fibria R$ 80 mil. As outras doações foram em menor quantidade distribuídas entre outras empresas. Márcia Moura não pode mais concorrer à reeleição.

O deputado estadual (PSDB) Angelo Guerreiro, que novamente tentará chegar à prefeitura, conseguiu R$ 84.722,75 em doações para sua campanha em 2012, sendo que mais da metade veio de empresas. A maior doadora foi a empresa do seu candidato a vice-prefeito João Juveniz, com R$ 25 mil. A Fibria empregou R$ 20 mil na campanha do caubói.

Ainda em 2012, Luiz Antônio da Silva Martins, o Dr. Tidico (PRP), recebeu R$ 12.250,00 oriundos de empresas de sua propriedade. Tidico ainda não sabe se concorrerá em 2016.

ELEIÇÕES 2016

O Hojemais procurou os virtuais candidatos a prefeito nas eleições deste ano, entretanto, conseguiu falar apenas com o pedetista Rogerson Rímoli. Angelo Guerreiro e Idevaldo Claudino (PT) não foram localizados.

Nas eleições de 2012, Claudino gastou R$ 46.864,09, sendo a maior parte oriunda de empresas.

Rímoli explicou que, como nunca encampou uma campanha eleitoral, não sentirá qualquer diferença. “Penso que a medida moraliza as campanhas. O que vai valer é a disposição do candidato”, opinou. Questionado se antes da decisão do STF chegou a pensar em viabilizar recursos para sua campanha junto à empresas, ele disse que não, pelo fato de não ser político e garante que nunca recebeu qualquer proposta de doação. “Quero fazer algo diferente, com menos dinheiro”, disse, afirmando, porém, que ainda não tratei do assunto em nível de partido.

NOVO COMPORTAMENTO

Para especialistas, as eleições serão marcadas pela transformação no comportamento dos candidatos. Sem o financiamento privado de campanha - considerado inconstitucional pelo STF -, os postulantes ao Legislativo e Executivo precisarão encontrar outras formas de angariar recursos. Há que acredite, porém, que a alteração foi muito radical e não impedirá a existência de doações ilegais.

 “Posso garantir que alguma idéia vai surgir para burlar esta proibição”, disse um cidadão, prevendo que as prestações de contas darão muita dor de cabeça aos candidatos.

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