A Suzano concluiu em Mato Grosso do Sul a primeira fase de um projeto pioneiro de teleoperação na colheita florestal . Durante os testes, uma harvester colheu 12 mil árvores , em uma área equivalente a 12 campos de futebol, sendo comandada remotamente a partir da torre de controle florestal da unidade de Ribas do Rio Pardo (MS) .
Os testes permitiram operar o equipamento a até 350 quilômetros de distância da frente de trabalho , sem necessidade de deslocamento da equipe técnica até o local. Desenvolvido em parceria com a Komatsu e a S4E Tech , o projeto começou em abril de 2026 e representa a primeira operação de harvester teleoperada em ambiente operacional no setor florestal brasileiro.
A tecnologia não torna a máquina autônoma. O operador continua responsável pelo comando, mas passa a trabalhar na torre de controle, em vez de permanecer na cabine do equipamento em uma fazenda. Os sete profissionais capacitados para o projeto seguem atuando na operação. Atualmente, um operador pode gastar cerca de duas horas em deslocamento até a frente de colheita.
Evolução da colheita florestal
Ledir Rodrigues de Freitas, consultor de Excelência Operacional da Suzano, acompanha as transformações da atividade desde 1989, quando iniciou na colheita e a motosserra já havia substituído o machado e o facão. Depois, acompanhou a chegada do harvester, que reduziu a exposição dos trabalhadores aos riscos do corte. Agora, participa da terceira grande transição de sua trajetória profissional.
“Quando fui convidado para participar deste projeto, vi a possibilidade de realizar um grande sonho, o de ver as máquinas sendo operadas a partir de um local distante, em um ambiente mais controlado. Este é um passo como as demais evoluções, não tem volta. Já vejo as possibilidades que estão por vir”, comenta.
Segundo Douglas Seibert Lazaretti, vice-presidente de Operações Florestais da Suzano, a proposta é utilizar a tecnologia para transformar a rotina no campo.
“Estamos testando uma nova forma de realizar o trabalho no campo, com o uso da tecnologia para tornar a rotina dos profissionais mais segura e confortável. A possibilidade de comandar os equipamentos de outro local reduz deslocamentos até o campo e contribui para que os operadores tenham mais qualidade de vida, sem perder de vista a segurança e a eficiência da operação. Este projeto pode mudar a forma como trabalhamos no setor florestal”, afirma.
Operação mantém controles da cabine
Na torre, o profissional encontra os mesmos controles utilizados no equipamento , além de câmeras que reproduzem em tempo real o campo de visão e as condições da máquina. Na primeira fase, dois equipamentos foram operados remotamente: uma harvester, principal foco do projeto, e uma grua de carregamento.
A operadora de máquinas florestais Beatriz Carolina Gonçalves participou dos primeiros testes.
“Eu pensava que seria como um controle remoto, mas encontrei um ‘cockpit’ com as mesmas condições da máquina, só que em outro ambiente e com muito conforto. Foi um desafio operar a quilômetros de distância usando as câmeras como base, mas também foi uma experiência muito gratificante”, relata.
