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Suzano testa operação remota de colheita florestal em Mato Grosso do Sul

Projeto pioneiro no setor permitiu colher 12 mil árvores com harvester comandada a até 350 quilômetros de distância; tecnologia mantém operador no controle e prepara nova etapa de testes.

Portal Vale Celulose  - Redação - Hojemais - Três Lagoas 
08/09/26 às 10h51
(Foto: Colheita remota Suzano)

A Suzano concluiu em Mato Grosso do Sul a primeira fase de um projeto pioneiro de teleoperação na colheita florestal . Durante os testes, uma harvester colheu 12 mil árvores , em uma área equivalente a 12 campos de futebol, sendo comandada remotamente a partir da torre de controle florestal da unidade de Ribas do Rio Pardo (MS) .

Os testes permitiram operar o equipamento a até 350 quilômetros de distância da frente de trabalho , sem necessidade de deslocamento da equipe técnica até o local. Desenvolvido em parceria com a Komatsu e a S4E Tech , o projeto começou em abril de 2026 e representa a primeira operação de harvester teleoperada em ambiente operacional no setor florestal brasileiro.

A tecnologia não torna a máquina autônoma. O operador continua responsável pelo comando, mas passa a trabalhar na torre de controle, em vez de permanecer na cabine do equipamento em uma fazenda. Os sete profissionais capacitados para o projeto seguem atuando na operação. Atualmente, um operador pode gastar cerca de duas horas em deslocamento até a frente de colheita.

Evolução da colheita florestal

Ledir Rodrigues de Freitas, consultor de Excelência Operacional da Suzano, acompanha as transformações da atividade desde 1989, quando iniciou na colheita e a motosserra já havia substituído o machado e o facão. Depois, acompanhou a chegada do harvester, que reduziu a exposição dos trabalhadores aos riscos do corte. Agora, participa da terceira grande transição de sua trajetória profissional.

“Quando fui convidado para participar deste projeto, vi a possibilidade de realizar um grande sonho, o de ver as máquinas sendo operadas a partir de um local distante, em um ambiente mais controlado. Este é um passo como as demais evoluções, não tem volta. Já vejo as possibilidades que estão por vir”, comenta.

Segundo Douglas Seibert Lazaretti, vice-presidente de Operações Florestais da Suzano, a proposta é utilizar a tecnologia para transformar a rotina no campo.

“Estamos testando uma nova forma de realizar o trabalho no campo, com o uso da tecnologia para tornar a rotina dos profissionais mais segura e confortável. A possibilidade de comandar os equipamentos de outro local reduz deslocamentos até o campo e contribui para que os operadores tenham mais qualidade de vida, sem perder de vista a segurança e a eficiência da operação. Este projeto pode mudar a forma como trabalhamos no setor florestal”, afirma.

Operação mantém controles da cabine

Na torre, o profissional encontra os mesmos controles utilizados no equipamento , além de câmeras que reproduzem em tempo real o campo de visão e as condições da máquina. Na primeira fase, dois equipamentos foram operados remotamente: uma harvester, principal foco do projeto, e uma grua de carregamento.

A operadora de máquinas florestais Beatriz Carolina Gonçalves participou dos primeiros testes.

“Eu pensava que seria como um controle remoto, mas encontrei um ‘cockpit’ com as mesmas condições da máquina, só que em outro ambiente e com muito conforto. Foi um desafio operar a quilômetros de distância usando as câmeras como base, mas também foi uma experiência muito gratificante”, relata.  

Para Beatriz, a redução dos deslocamentos também pode representar mudança importante na qualidade de vida.

“Essa solução pode melhorar muito o dia a dia dos operadores, porque reduz o tempo gasto no caminho até as fazendas e permite estar mais perto da família. Tenho uma filha pequena e acredito que isso possa fazer diferença na vida de quem trabalha nessa atividade”, afirma.

O operador de abastecimento de madeira João Victor de Almeida Barbosa também participou da experiência. Filho de um profissional que trabalhou no transporte da Suzano, ele considera o projeto uma oportunidade de unir sua trajetória à inovação.

“Tenho muito orgulho de fazer parte dessa iniciativa. Entrei na empresa em uma área que era nova para mim e, agora, participar de um projeto como esse representa uma oportunidade de aprender e contribuir para uma operação mais segura e eficiente”, afirma.

Conexão por satélite e segurança

Um dos principais desafios técnicos foi estabelecer a comunicação com as máquinas. As frentes de colheita estão localizadas em áreas sem infraestrutura convencional de telecomunicações e mudam de posição conforme o avanço das operações.

A comunicação entre a torre de controle e os equipamentos ocorre via satélite , utilizando uma estrutura preparada para funcionar sem interrupções.

A segurança também é monitorada continuamente no próprio equipamento. Caso ocorra falha de comunicação ou qualquer condição anormal, a máquina para automaticamente . Segundo o projeto, o tempo de resposta do sistema é menor que o de um piscar de olhos.

Tecnologia amplia possibilidades de inclusão

Ao todo, sete profissionais foram capacitados : cinco para a colheita, incluindo duas mulheres, e dois para o carregamento logístico. Os operadores possuem diferentes perfis de experiência e faixa etária.

Técnicos e mecânicos dos módulos também receberam capacitação para receber os equipamentos e atuar quando necessário. Participam da iniciativa profissionais das áreas de Operações Florestais, Inovação, Excelência Operacional, Segurança, Gente e Gestão, Treinamento, Tecnologia e Engenharia, além das equipes da Komatsu e S4E Tech.

A teleoperação também modifica o perfil da própria vaga. A operação de máquinas florestais deixa de exigir a permanência diária em áreas remotas e pode ser realizada em ambiente fixo dentro da unidade.

Para Rodrigo Zagonel, diretor de Operações Florestais da Suzano em Mato Grosso do Sul, a tecnologia pode ampliar as possibilidades de inclusão.

“Trabalhar no campo, muitas vezes em áreas distantes, traz desafios importantes para os profissionais. À medida que avançamos nos testes, percebemos que essa solução abre possibilidade para a inclusão de outros públicos, inclusive pessoas com deficiência. Esse potencial está alinhado ao compromisso da Suzano com a construção de oportunidades mais equitativas em Mato Grosso do Sul”, afirma.

Na avaliação de Eduardo Nicz, diretor-presidente da Komatsu Forest Brasil, o alcance da tecnologia pode ir além da atual operação.

“A teleoperação remota tem potencial para transformar o setor florestal, trazendo mais eficiência, segurança e qualidade de vida para os operadores. Estamos muito satisfeitos em desenvolver essa iniciativa ao lado da S4E e da Suzano, acreditando que essa tecnologia será um divisor de águas para o mercado, ampliando oportunidades de inclusão para mulheres, pessoas com deficiência e jovens. Além de ser um projeto global, ter o Brasil como ponto de partida reforça nosso compromisso com a inovação e com a construção de um futuro mais sustentável e promissor para o setor”, afirma.

Operação movimenta 19 milhões de metros cúbicos por ano

A dimensão da atividade ajuda a demonstrar o potencial da tecnologia. Mais de mil operadores trabalham na colheita e no carregamento de madeira em Mato Grosso do Sul .

No estado, são colhidos aproximadamente 19 milhões de metros cúbicos de madeira por ano , em cerca de 100 mil hectares .

Atualmente, a teleoperação está presente em duas máquinas. O impacto da tecnologia sobre o deslocamento diário dos profissionais dependerá do ritmo de adoção da solução nos próximos anos.

Projeto avança para fase piloto

A procura por tecnologias que pudessem ser adaptadas às operações florestais começou em 2024 . No ano seguinte, a S4E Tech realizou sua primeira visita técnica a Mato Grosso do Sul para identificar os desafios da atividade.

A solução passou então a ser desenvolvida em conjunto com a Komatsu, fornecedora de tecnologia para o setor florestal e parceira da Suzano. Em abril de 2026 , duas máquinas começaram a ser operadas remotamente.

A primeira etapa buscou validar o conceito de teleoperação na colheita, analisar as condições de segurança e verificar eventuais restrições relacionadas ao raio de operação. Diversas oportunidades de melhoria foram identificadas durante os testes.

A próxima fase será um piloto , incorporando os ajustes mapeados e com escalonamento gradual. A nova etapa deverá começar nos próximos meses.

No exterior, iniciativas de colheita florestal teleoperada ainda estão em fases de pesquisa, protótipo ou demonstração em países como Suécia, Finlândia, Nova Zelândia, Canadá e Japão . Equipes da Komatsu do Japão e da Suécia visitaram recentemente a operação instalada em Mato Grosso do Sul.

Parceira no desenvolvimento, a S4E Tech é uma empresa brasileira fundada há cinco anos, com sede em Belo Horizonte (MG), especializada em tecnologias para equipamentos móveis. Além do segmento florestal, suas soluções são utilizadas nos setores de mineração, siderurgia, portos e construção.

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