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Vazio fundiário pode afetar expansão florestal em MS

Estado tem 597 mil hectares sem titularidade declarada e setor de celulose depende de segurança jurídica.

Redação - Hojemais - Três Lagoas 
24/02/26 às 15h53
(Foto: Vazio Fundiário - Imagem: Ilustração)

Mato Grosso do Sul possui  597 mil hectares de vazio fundiário  , áreas sem titularidade declarada no  Cadastro Ambiental Rural (CAR)  . O dado, divulgado em levantamento repercutido pelo Correio do Estado, acende um alerta para o  setor florestal  , especialmente para a cadeia do  eucalipto  , que depende de  segurança jurídica  , financiamento e certificação ambiental.

O Estado possui atualmente cerca de  1,8 milhão de hectares de florestas plantadas  , com previsão de crescimento para  2,5 milhões de hectares até 2028  , segundo dados do governo estadual. A expansão estimada gira em torno de 40% nos próximos anos, impulsionada por novos investimentos industriais no  Vale da Celulose  .

Mato Grosso do Sul abriga um dos maiores polos de  produção de celulose  do mundo, com operações concentradas principalmente em  Três Lagoas  Ribas do Rio Pardo  . Esse crescimento exige ampliação ordenada da base florestal, o que depende diretamente da  regularização fundiária  das áreas utilizadas.

Peso econômico da celulose

setor de celulose em Mato Grosso do Sul  é um dos motores da economia estadual. Produtos florestais responderam por aproximadamente  US$ 2,85 bilhões em exportações do agronegócio  em 2025, com a celulose representando quase a totalidade desse volume.

O segmento participa com cerca de  17,8% do PIB industrial do Estado  e movimenta milhares de empregos diretos e indiretos ao longo da cadeia produtiva.

No cenário nacional, a  celulose brasileira  movimentou aproximadamente  US$ 10,6 bilhões em exportações em 2024  , reforçando a importância estratégica da produção instalada no Estado.

Onde o vazio fundiário impacta

A existência de  áreas sem titularidade declarada  pode afetar o setor em diferentes frentes.

Crédito e financiamento

O ciclo do eucalipto dura de seis a sete anos. Para viabilizar plantios, produtores dependem de  crédito rural  . Sem matrícula regularizada, as áreas não podem ser usadas como garantia, o que limita financiamentos e pode elevar o custo do capital.

Planejamento logístico

A indústria de celulose depende de  fornecimento contínuo de madeira  . Áreas com indefinição jurídica dificultam a consolidação de mosaicos florestais, o planejamento de corredores logísticos e a expansão territorial estratégica.

Certificações e mercado externo

Empresas exportadoras operam sob padrões internacionais rigorosos de  governança ambiental  e rastreabilidade. Irregularidades fundiárias podem comprometer certificações, gerar questionamentos jurídicos e criar riscos reputacionais no mercado externo.

Impacto no Vale da Celulose

Vale da Celulose em MS  vive um ciclo de forte expansão industrial. Projeções indicam que novos investimentos podem gerar até  100 mil empregos diretos e indiretos  , ampliando a relevância do setor na economia regional.

Se parte do vazio fundiário for regularizada, os impactos positivos podem incluir ampliação da base produtiva, maior arrecadação estadual, segurança jurídica para investidores e crescimento sustentável da  silvicultura  .

Por outro lado, a manutenção da indefinição fundiária pode gerar travamento de projetos, redução da competitividade e aumento do risco regulatório.

O vazio fundiário revela um desafio estrutural para o desenvolvimento do  agronegócio sul-mato-grossense  . Em um Estado líder na produção de celulose, a  regularização fundiária  é estratégica para sustentar a expansão das florestas plantadas, fortalecer o Vale da Celulose e garantir competitividade internacional.

 

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A indústria de celulose no Brasil não é apenas um pilar da economia nacional; é um ecossistema bilionário em constante expansão, com investimentos projetados em mais de R$ 100 bilhões na próxima década. O epicentro desse crescimento, o Vale da Celulose em Mato Grosso do Sul, concentra os maiores players globais, uma vasta cadeia de fornecedores e milhares de profissionais. No entanto, este gigante carece de um elo de comunicação centralizado e estratégico que conecte seus diversos agentes e traduza sua importância para a sociedade.

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