Política

Em gravações, vereador pedia dinheiro para assessor para pagamento de contas pessoais

Mário Henrique fazia ligações telefônicas e enviava mensagens pelo  whatsapp, exigindo que Denis Renan lhe repasse metade ou parte do salário

Andradina - Hugo Leonardo
17/04/19 às 09h34
Vereador Mário Henrique Cardoso (Cleber Carvalho/HojeMais/Andradina)

Trechos de gravações revelam que o vereador Mário Henrique Cardoso (Cidadania) exigia de seu assessor de gabinete, Denis Renan da Silva Batista, dinheiro “de volta” para o pagamento de contas pessoais.

As gravações levaram o Ministério Público a formular uma nova denúncia contra o vereador que teve o mandato cassado por quebra de decoro parlamentar na tarde de ontem (16), por 13 votos a 1.   

A promotora de justiça Regislaine Topassi afirma na denúncia que, Denis foi nomeado para o cargo, em 14 de julho de 2017, e logo em seguida Mário Henrique Cardoso passou a cobrar “pedágios” sobre o salário do assessor.

“Assim, agindo, Mário Henrique passou a efetuar ligações telefônicas e enviar mensagens pelo aplicativo de celular whatsapp, exigindo que Denis Renan, seu assessor de gabinete, lhe repasse metade ou parte dos seus vencimentos, exigências estas que, inclusive, foram gravadas pelo servidor”, diz Regislaine, na ação.

Denis teria sido demitido logo que passou a negar os pedidos. Denis entregou um pen drive à polícia contendo as gravações de áudio onde o vereador exigia o dinheiro.

Trechos

“Cê conseguiu jogá pelo menos, arrumá o dinheiro do ipêvêa (IPVA), pegá uns seiscentos, sessenta do meu carro (…) Cinco prestação, então se você não me ajuda, não tem como, aí você decide, se você arrumá esse dinheiro aí segunda, cê já me fala por que aí, se não, segunda-feira eu tenho que tomá atitude, nem tempo, podê tirá você.”

“(…) te dei emprego, eu quero vê se algum amigo seu vai te dá emprego prá você ganha esse salário aí, tá bom? Quero vê!”

A promotora de Justiça Regislaine Topassi

“Melhor coisa você devolvê minha chave segunda-feira, cê me espera lá fora, porque aí nóis resolve, já despeço você e pronto! Tá? No gabinete, cê nem qué i trabaiá mais segunda-feira, cê só me espera lá, ei espero o cê que nóis resolve com o Paulinho, que eu já dispenso você”



A promotora assistiu a sessão de votação do relatório que recomendava a cassação do vereador. Apesar de cassado. O vereador ainda responderá ao processo.

 “O caso viola princípios constitucionais da legalidade e moralidade administrativa, razão pela qual pediu a condenação do político. “O requerido Mário Henrique se aproveitou de tal faculdade (nomear e exonerar livremente assessores) e a utilizou de forma torpe, apenas contratando e mantendo no cargo de assessor de gabinete pessoa que aceitasse trabalhar por um salário inferior ao que lhe era devido, lhe repassando parte de seus vencimentos”, enfatizou Regislaine no proccesso.

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