Ciência e Tecnologia

Araçatubense acompanha expedição científica inédita em ilha brasileira

Além de acompanhar com exclusividade o primeiro acampamento científico na ilha de Martin Vaz, o primeiro-tenente e jornalista, Edwaldo Costa, aproveitou para instalar uma placa com o nome da cidade, na ilha de Trindade

Manu Zambon - Hojemais Araçatuba
08/05/22 às 13h54
(Foto: Divulgação)

O araçatubense e jornalista, o primeiro-tenente Edwaldo Costa, acompanhou por 31 dias uma expedição científica inédita nas ilhas de Martin Vaz e Trindade. A viagem, que teve início em março e foi finalizada em abril, contou com o navio hidroceanográfico “Almirante Graça Aranha”. 

A Ilha de Martin Vaz é um local desconhecido por muitos brasileiros e pesquisadores; está localizada no território mais a leste do Brasil, a 1.200 km de Vitória (ES) e a 1.550 km do Rio de Janeiro (RJ), na ponta de uma cadeia de montanhas vulcânicas submersas - Cadeia Vitória-Trindade. A região é de interesse para o País devido à localização estratégica e riquezas naturais, ainda pouco exploradas, principalmente nas áreas científica e ambiental. 

A expedição partiu de Niterói (RJ) e contou com a participação de 117 pessoas a bordo, entre militares e pesquisadores. A viagem envolveu pesquisas realizadas pela Marinha do Brasil, UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e FURG (Universidade Federal do Rio Grande), nas áreas de meteorologia, oceanografia, geofísica, geologia, história e meio ambiente.

Para Costa, que também é aluno do pós-doutorado em história na UnB (Universidade de Brasília), vivenciar a oportunidade é gratificante, como pesquisador e jornalista, já que pôde documentar o trabalho realizado pela Marinha do Brasil e pela comunidade científica nas ilhas em prol do desenvolvimento do País, da preservação ambiental, da ciência, da tecnologia e também da garantia da soberania.

Expedição

As ações de pesquisas científicas nas ilhas oceânicas foram coordenadas pelo capitão de mar e guerra e vice-secretário da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar, Rodrigo Otoch Chaves. Em reportagem realizada para a Agência Marinha de Notícias, ele destaca que a expedição foi a primeira que pesquisadores e militares pernoitaram na desabitada Ilha de Martin Vaz. “Por tratar-se de um lugar de difícil acesso, com cerca de 180 metros de altura, a logística envolveu o navio, o helicóptero e o auxílio dos fuzileiros navais para a montagem do acampamento e técnicas de montanhismo”.

Algumas pesquisas tiveram início antes mesmo da chegada dos tripulantes nos destinos. O graduando de oceanografia da UERJ, Luan Schimidel Ramos de Oliveira, por exemplo, aproveitou a viagem para atualizar o banco de dados de temperatura da camada superficial do oceano na região. “Com os resultados coletados, após 48 lançamentos de um equipamento chamado de XBT, é possível aprender mais sobre a variabilidade da circulação oceânica regional como, por exemplo: as relações da intensidade da corrente do Brasil ao sul da cadeia submarina Vitória-Trindade". O pesquisador integra o projeto Movar (Monitoramento da Variabilidade Regional) do transporte de calor e volume na camada superficial do oceano Atlântico Sul entre o Rio de Janeiro e a Ilha da Trindade.

Ilha de Martin Vaz (Foto: Divulgação)


No dia 18, uma aeronave decolocou do navio com materiais e tripulantes, para o estabelecimento do primeiro acampamento científico em Martin Vaz. Estratégico na geografia do Brasil, o local se configura como a ilha brasileira mais distante da costa; tem formato alongado com cerca de 500 metros de diâmetro, vegetação rasteira e solo irregular. Na ilha não há presença humana, apenas caranguejos e aves nativas e migratórias.

Na ilha, as pesquisas continuaram. No chão rochoso, Bruno de Andrade Linhares, capturou, anilhou e soltou aves marinhas. O pesquisador participa do programa de conservação de Trindade, o Reter-Trindade (Recuperação do Ecossistema Terrestre da Ilha da Trindade), da FURG, que visa evitar a extinção de espécies ameaçadas.

Segundo o pesquisador Lucas Guimarães Pereira Monteiro, da UERJ, pesquisas em Martin Vaz são raras devido à dificuldade de acesso ao local. “Se não fosse a Marinha do Brasil eu não teria a mínima condição de acampar e executar a pesquisa, que consiste em estudar as rochas vulcânicas da Ilha, que tem cerca de um milhão de anos e representa o último vulcanismo existente na Plataforma Brasileira. Aqui temos Haunyita, um mineral raro, existente apenas aqui e na Itália. Também consegui encontrar uma brecha vulcânica na base da Ilha que não havia sido mapeada. Vou levá-la para o continente para análises laboratoriais. Com isso, será possível saber a química, a fonte e a idade exata”, explica Monteiro. 

IBGE

Durante a estada na ilha, os militares da Marinha do Brasil aproveitaram para realizar a troca do mastro da bandeira nacional e também realizar o “marco testemunho”. “Nessa expedição, os tripulantes do navio realizaram, com meios e equipamentos da Marinha, rastreio e o estabelecimento do marco testemunho em Martin Vaz, para futura homologação do marco geodésico pelo IBGE", explica o chefe do Departamento de Operações, o capitão de corveta Gomes de Oliveira.

A obtenção de uma posição precisa é importante para a melhoria dos produtos gerados pela DNH (Diretoria de Hidrografia e Navegação), além de contribuir para o enriquecimento do banco nacional de dados oceanográficos e para o banco de dados do IBGE. Além do apoio à comunidade científica, rastreio e estabelecimento do marco testemunho, também houve a troca do mastro do pavilhão nacional. 

(Foto: Arquivo pessoal)

Trindade

Em Trindade, que fica a 49 quilômetros de Martin Vaz, Costa aproveitou sua passagem pelo local para instalar uma placa com o nome de Araçatuba, que fica a mais de dois mil quilômetros da ilha.

O geólogo Lucas Monteiro e o biólogo marinho Bruno Linhares vão permanecer pesquisando em Trindade até junho de 2022. O chefe do Poit (Posto Oceanográfico da Ilha da Trindade), o capitão de corveta Jone Dantas de Brito, disse que por causa da pandemia, a presença dos pesquisadores estava interrompida.  

“Ficamos felizes com o retorno dos pesquisadores à Ilha da Trindade. Por mantermos uma tripulação, permanentemente, o Brasil tem o direito de estabelecer, ao redor dessa Ilha, um mar territorial, uma zona contígua e uma zona econômica exclusiva. Nessas áreas somente o nosso País tem o direito de soberania para exploração e gestão dos recursos naturais, vivos ou não vivos, das águas, do leito e do subsolo marinho”, ressalta Brito.

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