Ciência e Tecnologia

Fotografia de dados

"Para se ter ideia, uma startup criou um dispositivo que permite 'tirar fotografia' sem a necessidade de usar lentes (...)"

Cássio Betine*
11/06/23 às 13h00

Um artigo do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), publicado em outubro de 2021, informou que a quantidade de dados criada, capturada, copiada e consumida em 2018 foi de 33 zettabytes, ou 33 trilhões de gigabytes. Esse número cresceu, em 2020, para 59 ZB e é esperado que atinja 175 ZB até 2025 — ou 175.000.000.000.000 gigabytes. (fonte: Data Age 2025, do IDC).

Isso significa (metaforicamente, é claro) que todo globo terrestre está coberto de dados dos mais diversos tipos: texto, imagens, áudio, sistemas, etc. E isso permite desdobramentos em várias áreas, como por exemplo numa das mais emergentes e impactantes, a das inteligências artificiais. Mas uma outra área, pouco percebida ou com menor atenção, pode mudar muita coisa num futuro não tão distante: a fotografia de dados. 

Imagem criada por IA chatbot Canva orientada por Teka Betine

Esse é um campo em rápido desenvolvimento que envolve a captura e análise de imagens para extrair informações úteis e insights. Algumas aplicações atuais incluem a captura de imagens para condução autônoma, identificação facial, diagnóstico médico e monitoramento ambiental. 

Para se ter ideia, uma startup criou um dispositivo que permite “tirar fotografia” sem a necessidade de usar lentes - processo derivado da captura de imagens por reflexo de luz, utilizado há séculos e muito eficaz para reprodução de cenários realistas. Mas a Panagraphica (nome dessa tecnologia) pode mudar isso. 

Segundo os criadores, esse mecanismo pode reproduzir imagens utilizando apenas informações existentes na rede. Por exemplo: se você estiver em algum lugar e acionar a máquina, ela informará o que está vendo naquele local, exibindo uma descrição detalhada de sua localização atual, utilizando endereço, clima, horário e referências de locais próximos do ponto que você está. Daí, se a descrição define o que você deseja “fotografar”, basta dar um “ok” que uma inteligência artificial cria a imagem pra você.

Reforçando essa ideia, isso já foi feito anos atrás pelo sistema Google Earth em uma de suas opções de visualização geográfica chamada “construções 3D”. Ele reproduz em 3D construções realísticas de cidades inteiras (não é o Street View, é algo como se você sobrevoasse uma cidade inteira vendo prédios, casas, ruas, montanhas, etc.). Nesse caso, eles utilizaram imagens de satélite e criaram uma solução para “montar” as centenas de milhares de construções ao redor do mundo. É magnífico!

Continuando com a Panagraphica, considerando essa volumosa quantidade de dados existentes atualmente, seria perfeitamente possível gerar imagens fotográficas diferentes da convencional, que é particular e individual. Seria algo mais coletivo e colaborativo. Isso hoje, agora imagine a geração de imagens 100 anos adiante.

Portanto, no futuro, será possível que a fotografia de dados se torne mais difundida e acessível, permitindo que empresas e indivíduos incorporem a análise de imagens em seus negócios e vidas pessoais. 

Agora, como tudo, sempre há os prós e contras para qualquer tipo de inovação inserida na humanidade. Mas essa tal fotográfica de dados, só poderemos saber depois que elas estiverem realmente sendo largamente utilizadas.

 

(Foto: Arquivo pessoal)

*Cassio Betine é head do ecossistema regional de startups, coordenador de meetups tecnológicos regionais, coordenador e mentor de Startup Weekend e pilot do Walking Together. Cássio é autor do podcast Drops Tecnológicos

**Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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