Ciência e Tecnologia

Transumanismo

"Existe um movimento conhecido como transumanismo que defende a ideia de que a tecnologia pode ser usada para melhorar a condição humana ao ponto de se alcançar essa sonhada vida eterna"

Cássio Betine*
28/05/23 às 13h00
Imagem criada por IA orientada por f7digitall (Foto: Divulgação)

Um empresário americano de 45 anos ficou conhecido recentemente por tomar medidas radicais para poder voltar a ter “18 anos”. E para atingir esse objetivo não poupou dinheiro nem esforço, como por exemplo receber transfusão completa de sangue do seu pai, de 70 anos, e do seu filho, de 17.

Os médicos do empresário Bryan Johnson afirmaram que em dois anos ele reduziu sua idade biológica geral em mais de cinco anos, e agora tem o coração de 37 anos, a pele de 28 anos e a capacidade pulmonar e “apetite” de um jovem de 18 anos.

Tudo isso faz parte de um projeto chamado Blueprint, que tem como premissa se submeter a uma existência recheada de regras e regimes em tempo integral visando uma vida melhor e mais saudável.

Essa contextualização foi para reforçarmos a ideia de que o envelhecimento incomoda muito o ser humano contemporâneo, mais que isso, a própria morte talvez incomode mais. E as tecnologias, de forma geral, mas principalmente as do campo da biologia, vêm avançando assustadoramente, e com isso algumas pessoas parecem fazer de tudo para buscar a vida eterna, ou na melhor das hipóteses, prolongá-la o máximo que puderem.

Existe um movimento conhecido como transumanismo que defende a ideia de que a tecnologia pode ser usada para melhorar a condição humana ao ponto de se alcançar essa sonhada vida eterna. A ideia, por mais atraente que possa parecer, é cercada de controvérsias e desafios éticos e científicos, como a desse empresário, por exemplo.

E neste momento, há várias tecnologias sendo investigadas para alcançar isso, como a nanotecnologia, a biotecnologia e a inteligência artificial. Essas áreas de pesquisa buscam encontrar formas de prolongar a vida humana, tanto em questão de tempo quanto de qualidade de vida.

A nanotecnologia, por exemplo, busca criar nanorobôs que possam fazer reparos em nossos corpos em nível celular, como microssondas para avaliação sanguínea, pílulas inteligentes de insulina, regeneradores de tecidos orgânicos, bio-robôs minúsculos que podem circular no organismo para destruir vírus e bactérias, etc. A biotecnologia busca estudar os processos biológicos de envelhecimento e encontrar formas de retardá-los ou de revertê-los. E a inteligência artificial, por sua vez, pode ajudar na criação de diagnósticos mais precisos e tratamentos personalizados para cada indivíduo.

No entanto, devemos lembrar que a vida eterna é algo que ainda está longe de ser alcançado e que a busca por ela levanta muitas questões importantes, como a justiça social, as desigualdades e o acesso universal aos avanços tecnológicos.

Além disso, é importante considerarmos que a morte é uma parte natural do ciclo da vida (pelo menos sobre o que conhecemos até hoje) e que a busca pela vida eterna pode limitar o valor que atribuímos à própria existência humana. Porém, é fato que hoje as tecnologias se desenvolvem a ritmos muito mais acelerados que um século atrás, e daqui 100 anos, sabe-se lá em que nível elas estarão.

 

Foto: Arquivo pessoal

*Cassio Betine é head do ecossistema regional de startups, coordenador de meetups tecnológicos regionais, coordenador e mentor de Startup Weekend e pilot do Walking Together. Cássio é autor do podcast Drops Tecnológicos

**Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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