Hoje, já podemos perceber que a relação das crianças e dos jovens com as telinhas azuis é algo muito forte. Nem é necessário acessar pesquisas cientificas com suas estatísticas sobre o assunto para detectarmos isso, pois o fenômeno é visível, é real, acontece bem na nossa frente. Aliás, nós também nos curvamos a isso. É inevitável.
Também percebemos que a evolução dessas ferramentas digitais é muito rápida. Todos os dias há uma nova atualização, uma inovação. Tudo sempre com objetivo de “facilitar” nossas vidas, e claro, nos manter conectados.
Há diversos pensamentos sobre quais os possíveis desdobramentos que esse tipo de evolução pode promover na vida e no comportamento das pessoas. Se por um lado, a ideia é facilitar, por outro, podem haver efeitos sociais e até biológicos.
Durante o evento de lançamento do Meta, que ocorreu no final de 2021, Mark Zuckerberg, dono da empresa, disse o seguinte: "Nos próximos cinco ou dez anos, muitos de nós estaremos criando e habitando mundos tão detalhados e convincentes como esse aqui."
Ele imaginou um futuro onde óculos leves e finos de realidade virtual (e não esses de hoje em dia que são smartphones encaixados num capacete) seriam como a porta de entrada para mundos on-line, onde seria possível estudar, ver filmes e shows, praticar exercícios físicos, encontrar amigos, conhecer pessoas, viajar e fazer compras.
Numa série recente chamada Feed (A Fonte), disponível nos streamings , os produtores levantaram a hipótese de um mundo onde esse metaverso já está amadurecido e popularizado, e as pessoas passam a maior parte de suas vidas conectadas a centenas de milhares de pessoas e coisas, tudo visto por meio de seus próprios olhos adaptados (algo que poderia muito bem suceder os óculos finos e leves que Zuckerberg mencionou).
Nessa ficção, as pessoas começam a perder a relação com o mundo real, apresentando dificuldades até motoras, como chutar uma bola por exemplo.
Isso pode parecer até um tanto que distante, mas se reparemos em nossas crianças e adolescentes com seus smartphones, veremos que as telinhas recebem muito mais atenção que atividades físicas e presenciais.
O próximo passo, segundo especialistas e futurólogos, será a integração genética desses dispositivos (hoje vestíveis, os tais wearables ) com o organismo humano, por meio de implantes cerebrais e neurais, capazes de se conectarem e interligarem aos nossos sentidos (isso já existe e está em teste).
Nessa mesma série citada, a evolução da realidade virtual chega ao ponto de ser integrada ao DNA humano e, consequentemente, ser repassada de geração em geração através da reprodução natural.
Parece surreal. Tudo bem, é um filme. Mas aparentemente as tecnologias estão seguindo esse caminho.
