Ciência e Tecnologia

Geração atual passará mais da metade da vida na internet

"O alarmante disso é que 80% dessa imersão na internet será pesquisando, assistindo e interagindo com temas superficiais como tiktok, piadas, bichinhos brincando, dancinhas, acidentes e curiosidades banais (...)"

Cássio Betine*
24/07/22 às 13h00

Um estudo global realizado recentemente apontou que a geração atual – nascidos agora -, terão em média, um tempo de vida de aproximadamente 76 anos, variando pouco entre mulheres e homens. Isso claramente é uma média e depende de fatores individuais que impactam sobre viver mais ou menos do que isso.

Desse tempo de vida, a previsão é que mais da metade dele, cerca de 40 anos, essas pessoas passarão navegando na internet. O alarmante disso é que 80% dessa imersão na internet será pesquisando, assistindo e interagindo com temas superficiais como tiktok, piadas, bichinhos brincando, dancinhas, acidentes e curiosidades banais de diversos gêneros e por aí a fora, e somente 20% das buscas será dedicada a assuntos profissionais ou que possam enriquecer o conhecimento da pessoa de alguma forma.

(Foto: Pexels)

Em painéis que apresento voluntariamente em escolas da região, por meio de uma espécie de bate-papo informal em salas de aula, abordo esse tema de forma direta junto aos alunos, principalmente do ensino médio, que são usuários assíduos dessa rede global de informação. E, pelo menos nesse momento da vida deles, a estatística se confirma quando pergunto quais temas eles mais procuram quando acessam a internet.

Geralmente, esses alunos não sabem as excelentes opções, condições e oportunidades que essa mesma internet onde gastam seu tempo com superficialidades, pode oferecer para seu desenvolvimento pessoal, cultural e profissional.

Só para efeito cronológico e factual, antes do advento se tornar acessível para quase todo mundo, ainda no último século o conhecimento era restrito às prateleiras das bibliotecas, em periódicos e artigos especializados e nas academias. Ou seja, uma pequena parte das populações tinham esse privilégio. 

Hoje, ao contrário, a “biblioteca de Alexandria” – com diz o jornalista Alexandre Garcia -, está na palma da mão de muita gente: os smartphones. 

Nessa rede neural artificial é possível encontrar quase tudo o que precisamos ou temos curiosidade em saber. Também é possível organizar pesquisas, mitigar fontes confiáveis ou não, escolher formas de assimilar (texto, desenho, áudio ou vídeo), conectar pessoas ou especialistas e claro, produzir conteúdo.

Talvez seja apenas uma questão de conhecimento sobre os benefícios oferecidos. Talvez uma questão de confiança. Ou, pode até ser simples alienação ou falta de interesse mesmo. 

A questão é que, se as projeções estiverem corretas, o enriquecimento técnico e cultural dessas pessoas será um diferencial para uma minoria. E a outra parte – a maioria -, continuará sendo apenas um consumidor do que a minoria produz.

(Foto: Arquivo pessoal)

*Cássio Betine é head do ecossistema regional de startups, coordenador de meetups tecnológicos regionais, coordenador e mentor de Startup Weekend e pilot do Walking Together. Cássio é autor do podcast Drops Tecnológicos .


** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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